12/May/2026
Segundo o Itaú BBA, a suinocultura brasileira deve enfrentar um cenário de maior cautela nos próximos meses, diante da pressão sobre as margens e da necessidade de maior disciplina produtiva para reequilibrar o mercado. O setor precisará reforçar a gestão de risco e conter excessos de oferta para evitar deterioração mais intensa da rentabilidade. A piora recente das margens foi impulsionada principalmente pela queda dos preços do suíno vivo. Independentemente da magnitude da expansão da produção, será necessária moderação no ritmo de crescimento para restabelecer o equilíbrio do mercado, especialmente em um ambiente ainda marcado por custos relativamente controlados e exportações aquecidas.
Esse contexto pode retardar o ajuste necessário da oferta, tornando mais prudente a contenção da produção. Há ainda para riscos adicionais relacionados aos custos de ração, com a possibilidade de uma safra menor de milho nos Estados Unidos, desafios para a produção brasileira da safra de verão (1ª safra 2026/2027) e a elevação dos preços dos fertilizantes. Caso esses fatores avancem sobre os custos de alimentação animal, as margens da atividade podem sofrer deterioração adicional. Os ciclos de destruição de margens na suinocultura costumam ser prolongados, exigindo atuação mais ativa dos produtores independentes na gestão dos custos de produção.
Em abril, o mercado registrou forte pressão sobre os preços. Em São Paulo, o suíno vivo acumulou queda de 18% em abril, retornando para R$ 5,40 por quilo, menor nível desde 2022 e cerca de 30% abaixo do observado em abril de 2025. Em relação à média de março, a retração foi de 14%. Com isso, o spread da atividade entrou em terreno negativo pela primeira vez em 35 meses. As margens passaram de 22% em janeiro para -6% em abril, mesmo diante do desempenho positivo das exportações. O mercado doméstico não conseguiu absorver o excesso de oferta, pressionando os preços do animal. No atacado, a queda foi menos intensa, com retração de 9% nos preços da meia carcaça.
Há sinais recentes de ajuste, com leve recuperação das cotações na última semana, mas o mercado precisaria retornar ao patamar de R$ 6,15 por quilo para que a atividade voltasse ao ponto de equilíbrio. Apesar das dificuldades no mercado interno, as exportações seguem sustentando parcialmente o setor. Os embarques brasileiros de carne suína somaram 121 mil toneladas em abril, avanço de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações cresceram 13,7%. Os dados preliminares de abates sob inspeção federal indicam crescimento de 5% no primeiro trimestre. Considerando o avanço de 18% das exportações no período, o Itaú BBA estima que o consumo aparente doméstico tenha aumentado 2,2% na comparação anual, ritmo considerado moderado frente à expansão da produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.