12/May/2026
O BTG Pactual avaliou que a carne bovina voltou a liderar o desempenho do setor de proteínas animais em abril, impulsionada pelo avanço das exportações brasileiras e pela forte demanda da China. Apesar do cenário positivo para os embarques, a alta dos preços do gado continua comprimindo as margens da indústria frigorífica e deve manter pressão sobre a rentabilidade nos próximos meses. O mercado chinês segue como principal vetor de sustentação do setor bovino. Houve aceleração dos embarques para a China diante da implementação da cota de importação de 1,1 milhão de toneladas, volume inferior às 1,6 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil ao mercado chinês em 2025. Os embarques brasileiros de carne bovina para a China cresceram 33% em abril na comparação com março e avançaram 27% frente ao mesmo período do ano passado, desempenho superior ao crescimento consolidado das exportações totais do setor.
Os preços pagos pelos importadores chineses ficaram 9% acima da média praticada nos demais mercados, prêmio considerado incomum. Mesmo com o avanço das exportações, a valorização de 11% nos preços do gado acumulada no ano continua limitando os ganhos das exportadoras. Os spreads de exportação da carne bovina permaneceram estáveis em abril frente a março, mas recuaram 4% na comparação anual. No mercado doméstico, houve melhora moderada das margens, sustentada pela valorização da carne bovina, movimento que compensou parcialmente a elevação do preço do boi gordo. Os spreads internos avançaram 1% tanto na comparação mensal quanto anual. O segmento de frango mantém maior resiliência, embora já existam sinais de pressão sobre as margens. As exportações brasileiras de carne de frango ficaram praticamente estáveis na comparação anual, mas recuaram 5,6% frente a março, totalizando 443 mil toneladas. Em dólar, os preços médios da proteína avícola avançaram 2,8% no mês, porém a valorização do Real reduziu os preços em moeda local.
Os spreads domésticos do frango melhoraram em abril acompanhando a alta dos preços internos, embora ainda permaneçam abaixo dos níveis registrados em 2025 nos Estados Unidos. No mercado de carne suína, houve deterioração mais intensa. Os preços do suíno acumulam queda de 30% no ano, enquanto os spreads recuaram 9% em abril frente a março. Os ciclos de frango e suíno começam a apresentar reversão simultânea, ampliando os riscos de pressão sobre as margens do setor. As exportações brasileiras de carne suína cresceram 9,7% em abril na comparação anual, alcançando 121 mil toneladas. Apesar do avanço nos volumes, os preços médios recuaram 5% em reais frente ao mesmo período de 2025. Nos Estados Unidos, o mercado bovino permanece pressionado pela alta dos custos do gado e pela retração das exportações. O segmento de aves apresentou recuperação sequencial das margens, embora ainda distante dos níveis observados no ano anterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.