08/May/2026
O mercado físico do boi gordo apresenta sinais de acomodação, com estabilidade em São Paulo e recuos pontuais em categorias específicas, refletindo o alongamento das escalas de abate e menor necessidade de compra por parte da indústria. Em São Paulo, observa-se queda nos preços da vaca e do “boi China”, indicando possível pressão adicional sobre os machos no curto prazo. O boi gordo está cotado a R$ 355,00 por arroba a prazo; a vaca gorda, a R$ 328,00 por arroba a prazo; a novilha gorda a R$ 340,00 por arroba a prazo; e o “boi China”, a R$ 360,00 por arroba a prazo. O início da entressafra marca uma transição sazonal que historicamente favorece recuo nas cotações.
No entanto, fatores como menor disponibilidade de bovinos jovens para reposição e incertezas no mercado internacional tendem a limitar quedas mais acentuadas. A combinação de oferta restrita e demanda externa, com destaque para a China, mantém sustentação estrutural ao mercado, ainda que com ajustes pontuais no curto prazo. Em Minas Gerais, onde houve aumento da oferta de bovinos terminados e alongamento das escalas de abate, aliado a um ritmo mais lento no escoamento da carne, o boi gordo registra recuo de R$ 5,00 por arroba, para entre R$ 320,00 e R$ 328,00 por arroba a prazo. No Pará, o boi gordo está cotado a R$ 343,69 por arroba. Em São Paulo, no atacado, o preço médio da carcaça casada de boi em abril é de R$ 25,23 por Kg, maior valor da série histórica iniciada em 2001 em termos reais, considerando deflação pelo IGP-DI de março de 2026.
O resultado representa avanço de 3,74% frente a março e de 9,95% no acumulado do primeiro quadrimestre. A valorização foi impulsionada principalmente pelos aumentos no dianteiro, com alta de 5% e média de R$ 22,55 por Kg, e na ponta de agulha, com avanço de 6,9% e média de R$ 21,12 por Kg, enquanto o traseiro registrou elevação mais moderada de 3,8%. Também houve repasse da valorização do boi gordo para a carne no período. O cenário de curto prazo indica mercado mais ofertado e com menor intensidade compradora da indústria, enquanto, no médio prazo, fundamentos ligados à oferta restrita e à demanda externa seguem sustentando as cotações, ainda que sob maior volatilidade típica da entressafra.