08/May/2026
A Minerva Foods registrou lucro líquido de R$ 87,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 52,8% em relação ao valor de R$ 185 milhões apurado em igual período do ano passado. O desempenho foi pressionado principalmente pelo resultado financeiro negativo em meio à valorização do Real no período. Apesar da retração do lucro, o Ebitda somou R$ 1,118 bilhão no trimestre, alta de 16,2% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda ficou em 8,3%, ante 8,6% um ano antes. Já a receita líquida alcançou R$ 13,4 bilhões, avanço de 19,8%. Nos últimos 12 meses, a receita líquida atingiu R$ 57 bilhões e o Ebitda R$ 5 bilhões, ambos recordes para o período. O trimestre foi bastante difícil e volátil, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, não só no Brasil, mas no mundo todo. Mesmo assim, conseguimos manter o ritmo de crescimento”, afirmou o CFO da companhia, Edison Ticle. Segundo o executivo, a queda do lucro líquido foi explicada principalmente pelo desempenho financeiro.
"No ano passado tivemos um resultado positivo e, neste ano, um resultado negativo, porque o real apreciou muito no período”, disse. A companhia encerrou março com alavancagem líquida estável em 2,7 vezes dívida líquida/Ebitda, mesmo patamar do encerramento de 2025. A posição de caixa ficou em cerca de R$ 11 bilhões. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 800 milhões no trimestre, afetado por efeitos sazonais ligados ao capital de giro e ao pagamento de fornecedores. Segundo Ticle, houve um efeito concentrado na conta de fornecedores, especialmente pecuaristas, que postergaram recebimentos do quarto trimestre para o início de 2026. "Se não fosse esse efeito sazonal, teríamos geração de caixa livre perto de R$ 100 milhões no trimestre”, afirmou. A Minerva também manteve a estratégia de gestão ativa de passivos. Desde o início de 2026, a companhia recomprou cerca de US$ 228,9 milhões em bonds, equivalente a aproximadamente R$ 1,2 bilhão. Desde o início de 2025, as recompras acumulam US$ 613,7 milhões.
A empresa destacou ainda que a emissão de US$ 600 milhões em bonds com vencimento em 2036 teve demanda 2,5 vezes superior à oferta, reforçando a estratégia de alongamento do perfil da dívida. A Minerva Foods iniciou 2026 com expansão do volume de vendas e avanço das exportações, sustentada pela integração dos ativos adquiridos na América do Sul e pelo cenário global de oferta restrita de carne bovina. O volume total comercializado pela companhia somou 481,7 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 16,2% na comparação anual. A receita bruta consolidada atingiu R$ 14,5 bilhões no período, crescimento de 21,3%, enquanto as exportações responderam por 55% do total. Nos últimos 12 meses, o volume total vendido alcançou 2,04 milhões de toneladas, avanço de 30%. Segundo o CEO Fernando Queiroz, o cenário internacional segue favorável para exportadores sul-americanos em razão da menor disponibilidade global de proteína bovina.
"O cenário de oferta e demanda mundial está cada vez mais apertado e com tendência de diminuição de fornecimento, deixando a América do Sul como grande player mundial", afirmou. A companhia destacou que China e Estados Unidos permaneceram como os principais destinos das exportações no trimestre. Segundo a administração, a demanda chinesa voltou a acelerar no início do ano, enquanto os EUA seguem enfrentando restrições na oferta de gado, abrindo espaço para fornecedores da América do Sul. Queiroz afirmou ainda que a diversificação geográfica da companhia tem ampliado a capacidade de arbitragem entre mercados e mitigação de riscos comerciais e geopolíticos. "Isso serve como mitigador de risco para as medidas geopolíticas tarifárias que existem em diversos países”, disse. O executivo também destacou o avanço da integração das plantas adquiridas na região. “O amadurecimento desde a aquisição das fábricas mostra como a Minerva vem extraindo valor dessas operações”, afirmou.
A Minerva Foods avalia que o ambiente de preços mais elevados no mercado internacional seguirá compensando a menor disponibilidade de gado ao longo de 2026. Isso sustentará o avanço da receita mesmo em um cenário de queda nos abates. A avaliação foi feita pelo CFO da companhia. "Ainda que o abate seja menor este ano por causa da menor disponibilidade de gado, há um ambiente de aumento de preços, principalmente no mercado internacional. Então, teremos uma receita que vai mais do que compensar a queda no volume de abate", afirmou o executivo. "O impacto na receita é positivo", acrescentou. Os abates da companhia caíram 5,3% no primeiro trimestre na comparação anual, refletindo a virada do ciclo pecuário e a menor oferta de animais. Mesmo assim, a Minerva registrou crescimento de 21,3% na receita bruta no período. O executivo destacou que a empresa conseguiu sustentar volumes relevantes de vendas por conta da estratégia de carregamento de estoques.
"Os estoques estão mais altos do que estavam no quarto trimestre”, disse, ao comentar a posição da companhia para o segundo trimestre. Ticle também ressaltou que a comparação anual ainda é afetada pela consolidação das plantas adquiridas da Marfrig. "No primeiro trimestre do ano passado, não estávamos com as plantas 100% integradas. Então, é natural que os volumes fossem menores, assim como o nível de receita”, afirmou. A Minerva Foods avalia que o ciclo pecuário seguirá pressionando o custo do gado ao longo de 2026, mas acredita que o avanço dos preços da carne bovina exportada deve compensar parte do impacto sobre as margens da companhia. Segundo o CFO da empresa, Edison Ticle, a valorização da arroba já era esperada pela empresa e foi incorporada ao orçamento deste ano. "A alta da arroba de 10% a 15%, em média, em comparação com o ano passado, era algo esperado", afirmou o executivo.
De acordo com Ticle, a pressão sobre o preço do boi gordo reduziu a margem bruta da companhia no primeiro trimestre. "A nossa margem bruta caiu 140 pontos-base (1,4%) no primeiro trimestre em relação ao primeiro tri de 2025 por causa da alta no preço da arroba”, disse. O executivo ressaltou, porém, que o impacto sobre a geração operacional de caixa foi mitigado pelo avanço das sinergias e ganhos de escala após a integração dos ativos adquiridos da Marfrig. Segundo ele, houve diluição relevante das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A). Para os próximos trimestres, a companhia projeta continuidade do cenário, refletindo a virada do ciclo pecuário brasileiro. Ainda assim, a empresa vê um ambiente favorável para exportações, especialmente em mercados relevantes. "Enxergamos uma dinâmica muito positiva de preços de carne no mercado externo, com aumentos de preço em dólar ocorrendo em mercados importantes como Estados Unidos e China”, disse.
A alta do preço do boi gordo deve pressionar o capital de giro da Minerva Foods em 2026, mas a companhia projeta encerrar o ano com uma necessidade limitada de recursos, segundo o CFO da empresa. De acordo com o executivo, o consumo adicional de caixa deve ficar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões ao longo do ano, diante do avanço dos custos da principal matéria-prima. Segundo ele, a pressão ocorre porque a Minerva está pagando "cerca de 13% a mais pela arroba do boi em média em relação ao ano passado". Apesar disso, o executivo disse que a companhia deve terminar 2026 com uma posição de capital de giro "praticamente zerada". Ele afirmou, durante teleconferência com analistas, que a necessidade adicional "advém simplesmente pelo fato de eu estar pagando mais caro pela principal matéria-prima". Ticle explicou que a dinâmica financeira deste ano deve repetir o comportamento observado em 2025, com consumo de caixa no primeiro semestre e posterior liberação nos últimos dois trimestres. "No primeiro e segundo tri, devemos ter queima de caixa por necessidade de capital de giro. E devemos ter liberação no terceiro e quarto, como foi no ano passado", afirmou.
O México deve entrar para a lista dos dez principais destinos de exportação da Minerva Foods, em meio à redução do fluxo de carne bovina dos Estados Unidos para o país, afirmou o CEO da companhia, Fernando Queiroz. Segundo ele, o mercado mexicano passou a buscar novos fornecedores após mudanças no abastecimento tradicional. No primeiro trimestre, o México respondeu por 4% da receita de exportação da companhia. “O México era fortemente abastecido pelos Estados Unidos e esse fluxo diminuiu brutalmente”, disse o executivo. Segundo ele, o país "passou a olhar para outras origens", o que abriu espaço para a proteína sul-americana. Queiroz ponderou, porém, que o mercado mexicano representa "só mais um destino" dentro da estratégia comercial da companhia e minimizou eventuais riscos específicos ligados ao país. "Vai estar entre os dez maiores destinos, mas nada especial", afirmou. Ele destacou, ainda, que o México também alterou seu sistema de cotas, passando a operar com leilões para distribuição dos volumes autorizados. O executivo também comentou que a arbitragem entre mercados se mantém como parte importante da estratégia da Minerva, mas ressaltou que as oportunidades mudam rapidamente conforme exportações, câmbio e competitividade local. Fonte: Broadcast Agro.