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06/May/2026

Boi: apostas online reduzem consumo de alimentos

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) relatou que representantes da indústria de alimentos e do varejo levaram ao governo federal um conjunto de medidas para conter o avanço das apostas online e o endividamento das famílias. Esse é um dos fatores centrais na queda do consumo, especialmente entre a população de menor renda. Entre as propostas apresentadas no dia 4 de maio ao vice-presidente, Geraldo Alckmin, estão o bloqueio de pagamentos via Pix para plataformas irregulares e restrições à publicidade de cassinos online. A agenda também inclui o bloqueio de apostas para beneficiários de programas sociais e limites mais rígidos para o comprometimento da renda.

As sugestões constam em material apresentado pela Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (ABAAS) e pela Abiec, que defendem uma atuação simultânea em quatro frentes: meios de pagamento, publicidade, acesso a plataformas e patrocínio, para conter o avanço das apostas. Há um indicativo de que o governo vai tomar medida com relação a isso. Essa preocupação está mapeada. O setor levou ao Executivo evidências de que as apostas estão drenando renda das famílias e afetando diretamente o consumo. As pessoas estão deixando de consumir alimentos para apostar. O efeito é mais intenso na base da pirâmide, que está comendo menos porque está sobrando menos dinheiro.

Dados apontam queda de cerca de 10% no consumo da baixa renda, enquanto as classes média e alta ampliaram os gastos em aproximadamente 9%. O diagnóstico apresentado ao governo, produzido pela ABAAS, indica que o problema vai além das apostas e envolve o alto nível de endividamento. Atualmente, 49,9% das famílias brasileiras estão endividadas, enquanto 29,3% têm contas em atraso e mais de 80 milhões de adultos estão negativados. No caso das bets, o fluxo financeiro já alcança volumes expressivos. Estimativas indicam transferências mensais entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões via Pix para plataformas de apostas, somando mais de R$ 200 bilhões por ano.

Dados apresentados pela ABAAS reforçam esse cenário: em abril, um em cada quatro trabalhadores de uma grande rede de atacarejo teve o salário integralmente comprometido por empréstimos consignados. Para o setor, a combinação entre apostas e endividamento cria um efeito direto sobre o consumo e pode se espalhar para a atividade econômica. O consumo está diretamente ligado a isso. A avaliação levada ao governo é a de que, sem medidas coordenadas para recompor a renda disponível, especialmente entre os mais pobres, o enfraquecimento do consumo tende a persistir e contaminar o restante da economia. A roda da economia está travando no consumo e no endividamento das famílias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.