05/May/2026
A MBRF anunciou no dia 3 de maio a conclusão do acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF), dando origem à Sadia Halal, uma plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal avaliada em cerca de US$ 2,07 bilhões. Com a conclusão da operação, a BRF GmbH, subsidiária integral da BRF constituída na Alemanha e usada como veículo para investimentos internacionais, passou a deter 90% do capital da Sadia Halal, enquanto a HPDC ficou com os 10% restantes. A nova companhia reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de operações de distribuição em países como Catar, Kuwait e Omã, e o negócio de exportações para a região do Oriente Médio e Norte da África. O acordo prevê aportes da HPDC de US$ 24,3 milhões já realizados e outros US$ 73,1 milhões até o fim de 2026.
Além disso, foi firmado um contrato de fornecimento de produtos por dez anos, pelo qual a BRF abastecerá a joint venture a partir de suas unidades no Brasil, com preços definidos “em bases de mercado”. Também foi celebrado um contrato de licenciamento de marcas, permitindo o uso da marca Sadia. Segundo as companhias, a criação da Sadia Halal “representa um marco para a indústria de alimentos halal” e posiciona a empresa como uma das maiores plataformas globais do segmento, com acesso a mais de 350 milhões de consumidores em 14 países islâmicos. A nova empresa já iniciou os preparativos para um potencial IPO na bolsa de Riad, a Tadawul, sujeito às condições de mercado. Em comunicado, o CEO da operação na Arábia Saudita, Marquinhos Molina, afirmou que o movimento “é um marco” no compromisso de longo prazo com a Arábia Saudita e a região, acrescentando que a companhia será construída “com base em qualidade, escala e confiança, capaz de atender múltiplos mercados”.
O CEO da Sadia Halal, Fabio Mariano, disse que a empresa “nasce como referência global multiproteínas em um dos mercados que mais impulsionam o crescimento da indústria alimentícia no mundo”, destacando também a contribuição para a “agenda global de segurança alimentar”. Do lado da HPDC, o CEO Fahad bin Suliman Alnuhait afirmou que a companhia terá “um papel estratégico claro: atuar como o braço de proteínas do reino”, funcionando como um hub para atender toda a região e “destravar novas oportunidades”. A operação ocorre em um momento de expansão do mercado halal, que movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, com expectativa de que o consumo de alimentos ultrapasse US$ 1,5 trilhão até 2027, impulsionado por uma população muçulmana superior a 1,9 bilhão de pessoas. Um dia após a conclusão da criação da Sadia Halal, a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF), revelou a estratégia para ampliar sua participação na nova companhia, indicando que a fatia atual de 10% poderá chegar a 30% a 40% antes de uma eventual abertura de capital na bolsa de Riad, a Tadawul.
A Sadia Halal nasce como uma plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal, avaliada em US$ 2,07 bilhões. A operação reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de operações de distribuição no Oriente Médio e Norte da África, com a MBRF detendo 90% do capital, por meio da BRF GmbH, subsidiária integral da BRF usada como veículo para investimentos internacionais, e a HPDC com os 10% restantes. O CEO da HPDC, Fahad bin Suliman Alnuhait, afirmou que a companhia pretende "alcançar 20% até junho de 2027, ou antes, caso o IPO ocorra previamente”, acrescentando que há expectativa de atingir esse nível já no início de 2027. "Antes do IPO, nossa intenção é aumentar nossa participação para entre 30% e 40%, buscando nos aproximar ao máximo do limite superior desse intervalo", disse. O movimento da HPDC reforça o papel estratégico da companhia dentro da agenda de desenvolvimento da Arábia Saudita.
"A Sadia Halal está sendo estabelecida com um papel estratégico claro: atuar como o braço de proteínas do Reino, funcionando como um hub multiproteína capaz de atender não apenas o mercado saudita, mas também a região como um todo”, afirmou. Além do direcionamento estratégico, Alnuhait indicou que a expectativa é de valorização relevante do ativo até a abertura de capital. "Estamos confiantes de que o valor da Sadia Halal será significativamente mais alto no momento da listagem, o que sustenta nossa estratégia de ampliar nossa participação ao longo desse período”, disse. Segundo ele, a companhia deverá chegar ao mercado com "um modelo de negócios verdadeiramente diferenciado”, o que pode resultar em avaliação "acima dos parâmetros típicos de mercado". Do ponto de vista financeiro, a evolução da participação da HPDC terá impacto direto no caixa da MBRF e da própria Sadia Halal.
O aumento de 10% para 20% será feito por meio de aquisição secundária, com ingresso estimado de US$ 170,5 milhões no caixa da MBRF. Já a expansão de 20% para 30%, avaliada em cerca de US$ 230,6 milhões, e de 30% para até 40% (estimada em US$ 238,2 milhões), ocorrerá por meio de uma combinação entre operações secundárias e primárias, em proporções equivalentes, segundo os valores indicados pela companhia. Nesse formato, parte dos recursos segue para a MBRF, via venda de participação, enquanto a parcela primária é destinada diretamente ao caixa da Sadia Halal. Para Alnuhait, a joint venture é um ativo estratégico de longo prazo. "A Sadia Halal é um investimento estratégico para a HPDC e para o Reino, e nossa intenção é permanecer como um parceiro relevante, apoiando sua trajetória de crescimento e geração de valor no longo prazo”, disse. Fonte: Broadcast Agro.