04/May/2026
O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26 pelo terceiro mês consecutivo, cumprindo a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta puxaria para cima as cotações em intensidade superior que a observada nos meses anteriores. A alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) a R$ 2,3924 por litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25, em termos reais. No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% e a média, de R$ 2,2038 por litro, sendo 23,6% menor que a registrada no mesmo período do ano passado (valores deflacionados pelo IPCA de março/26). O movimento de alta seguiu sendo explicado pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru, já que a oferta seguiu restrita.
O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na “Média Brasil”, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva o custo com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025. Em março/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 0,46% na “Média Brasil”, acumulando avanço de 2,11% no primeiro trimestre. Com a menor disponibilidade de leite, a produção de lácteos também ficou mais limitada, e os preços de derivados seguiram aumentando em março. Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostra que o leite UHT se valorizou 18,3% e a muçarela, 6,1%, de fevereiro para março, em termos reais.
Os preços seguiram tendência altista até a primeira quinzena de abril, mas, a partir de então, as negociações já ficaram mais travadas e os valores passaram a se enfraquecer. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 33% em março, somando, no primeiro trimestre de 2026, uma aquisição de 604 milhões de litros em equivalente leite (EqL), apenas 0,9% menor do que no mesmo período do ano passado. A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento deve perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção, o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.