27/Apr/2026
As exportações brasileiras de carne suína apresentaram forte crescimento em março de 2026, enquanto os preços no mercado interno registraram recuo, configurando um cenário de pressão sobre a rentabilidade da suinocultura. Os embarques totais de carne suína, incluindo produtos in natura e processados, somaram 152,2 mil toneladas em março, avanço de 32,8% em relação ao mesmo período de 2025 e 1,4% acima do recorde anterior, registrado em setembro do ano passado. A média diária de exportações de carne suína in natura atingiu 5.980 toneladas por dia útil, o maior nível da série histórica iniciada em 1997. No acumulado do primeiro trimestre, as exportações de carne suína in natura cresceram 15,3% na comparação anual, com destaque para as Filipinas, responsáveis por mais de 30% do volume embarcado.
Apesar do desempenho positivo no mercado externo, o cenário doméstico indica desequilíbrio entre oferta e demanda. Dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF) apontam aumento de cerca de 4% no abate de suínos no período. Considerando que aproximadamente 25% da produção nacional é destinada às exportações, o crescimento mais acelerado dos embarques sugere absorção relevante da produção adicional pelo mercado internacional, sem evitar a pressão interna sobre os preços. Observa-se queda nas cotações do suíno vivo e da carcaça nas últimas semanas, refletindo excesso relativo de oferta no curto prazo. Esse movimento elevou a competitividade da carne suína frente a outras proteínas, com a relação de preços em comparação à carne bovina atingindo o melhor nível desde março de 2022 e, frente ao frango resfriado, o patamar mais favorável desde setembro do mesmo ano. No atacado, a proteína suína se tornou relativamente mais acessível, o que pode estimular o consumo doméstico nos próximos meses.
Mesmo com o recuo recente nos preços do milho e estabilidade no farelo de soja, a relação de troca caiu para níveis inferiores a 5,0, patamar considerado crítico para a viabilidade econômica da atividade, indicando risco elevado de margens negativas, dependendo do nível de eficiência produtiva. No campo, a irregularidade das chuvas em abril adiciona incerteza à produção da 2ª safra de milho de 2026, embora a Companhia Nacional de Abastecimento projete uma colheita total de 139,6 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. O cenário de curto prazo permanece desafiador, com pressão sobre preços e margens, apesar do desempenho robusto das exportações. A recomposição do equilíbrio de mercado dependerá de fatores sazonais de demanda, como o período de inverno e eventos de maior consumo, que podem contribuir para sustentação dos preços ao produtor. Fonte: ABCS. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.