24/Apr/2026
Segundo a Ponta Agro, o confinamento bovino encerrou o primeiro trimestre com margens mais altas, sustentadas pela valorização do boi gordo. No período, o lucro por cabeça atingiu R$ 1.092,12 no Centro-Oeste e R$ 1.101,54 no Sudeste, ante R$ 926,87 e R$ 955,69, respectivamente, no quarto trimestre de 2025. Na Região Centro-Oeste, os custos começaram a aumentar só no fim do trimestre, o que pode se refletir no desempenho da atividade no segundo trimestre. O custo da dieta de terminação saltou para R$ 1.192,08 por tonelada de matéria seca em março, alta de 13,45% no mês e de 11,09% no acumulado do trimestre.
O movimento foi puxado principalmente pelos volumosos, que subiram 21,02%, e pelos energéticos, com alta de 12,35%, refletindo a alta dos preços do milho e do sorgo na transição entre a safra de verão e a expectativa da 2ª safra de 2026. Apesar disso, o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) na região recuou 0,87% frente ao trimestre anterior, para R$ 12,59 por cabeça/dia, indicando que a pressão foi concentrada no fechamento do período. Ainda assim, o custo da dieta no trimestre avançou 0,78%, para R$ 1.105,29 por tonelada, reforçando o movimento de alta gradual. Do lado da receita, o boi gordo manteve trajetória de valorização, com média próxima a R$ 330,00 na Região Centro-Oeste.
O mercado seguiu sustentado pela demanda doméstica e pelo bom desempenho das exportações, com destaque para a continuidade das compras chinesas, o que ajudou a preservar a rentabilidade mesmo diante da pressão nos custos. Na Região Sudeste, o comportamento foi mais equilibrado. O custo da dieta praticamente se manteve estável no trimestre (-0,23%), encerrando março em R$ 1.148,32 por tonelada. Na média trimestral, a dieta ficou em R$ 1.170,74 por tonelada, alta de 1,83% frente ao trimestre anterior. A dinâmica de custos na região foi marcada por queda relevante nos energéticos (-8,74%) e proteicos (-5,11%), compensando a forte alta dos volumosos (+43,75%), influenciados pelos derivados da cana e pela silagem.
A maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais, como DDG, sorgo e torta de algodão, foi determinante para aliviar os custos. O ICAP médio no Sudeste avançou 3,57%, para R$ 12,49 por cabeça/dia, mas ainda em patamar competitivo frente ao Centro-Oeste. O boi gordo operou com prêmio relevante, entre R$ 340,00 e R$ 350,00 por arroba, impulsionado por bonificações e maior valorização da carcaça, o que garantiu margens robustas mesmo com oscilações na composição de custos. Outro ponto de destaque foi a inversão regional do custo alimentar em março, quando foi menor no Sudeste do que no Centro-Oeste, o que não é comum. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.