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24/Apr/2026

Leite A2 avança e amplia a presença no Brasil

A produção de leite A2 avança no Brasil, impulsionada pela percepção de maior facilidade de digestão em comparação ao leite convencional. O segmento ainda representa menos de 1% da produção nacional, mas vem atraindo investimentos de grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, que ampliaram suas linhas de produtos nesse nicho. O leite A2 é proveniente de vacas com genética A2A2, que produzem a proteína betacaseína A2. As caseínas constituem a maior parte das proteínas do leite, sendo que a betacaseína A1, presente no leite convencional, pode liberar o peptídeo beta-casomorfina-7 (BCM-7) durante a digestão, associado a desconfortos gastrointestinais em indivíduos sensíveis. A betacaseína A2 não gera esse composto. Vacas com genética A1A1 produzem leite A1, enquanto animais A1A2 produzem ambos os tipos.

A identificação das vacas é realizada por testes genéticos, e a produção de leite A2 exige certificação e rastreabilidade para garantir a segregação do produto ao longo da cadeia. Esse controle reforça a proposta de valor do segmento, associado à qualidade e à transparência de origem. A presença do gene A2 é mais frequente em raças zebuínas, como nelore e gir, embora todas as raças possam produzir leite A2. A Fazenda Colorado, em Araras (SP), responsável pela marca Xandô, lidera a oferta de produtos com leite A2 no País, com sete linhas, incluindo quatro tipos de leite (integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose) e três tipos de queijo. Atualmente, 65% das vendas da marca correspondem a produtos com leite A2. O crescimento ocorre em ritmo de dois dígitos, acima do mercado geral de leite, que avançou 2% em 2025, enquanto a categoria de leite fresco registrou alta de 11%. A empresa detém participação de 40,4% em volume e 44,5% em receita no segmento de leite fresco refrigerado em São Paulo, segundo a Scanntech.

A produção da Xandô é integralmente realizada na Fazenda Colorado, com processos automatizados de ordenha, resfriamento, pasteurização e envase. O rebanho conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, com produção diária de até 96 toneladas de leite, sendo o leite A2 captado e processado de forma segregada. O Grupo Piracanjuba também registra crescimento anual de dois dígitos nas vendas de leite A2. O diferencial de preço em relação ao leite convencional varia entre 25% e 35%, com tendência de redução à medida que o aumento de escala dilui custos fixos. O portfólio inclui leite A2 em pó integral, além de versões líquidas integral, semidesnatada e semidesnatada zero lactose. A produção é proveniente de fazendas certificadas, com processamento em tanques dedicados nas unidades de Goiânia e Araraquara (SP). A ampliação do portfólio depende da evolução do consumo no mercado doméstico.

O Laticínio Muai, vinculado à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz leite A2 integral em embalagens de 1 litro e 500 mililitros, além de queijo minas frescal e ricota fresca. A empresa prevê ampliar o portfólio com leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. A produção atual é de 15 mil litros por dia, com expectativa de crescimento de 25% no ano, diante de capacidade instalada de até 55 mil litros diários. A produção é ajustada à demanda, com foco no atendimento ao varejo da Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro possui rebanho de 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. O manejo inclui separação dos animais e ordenha diferenciada, priorizando a coleta do leite A2 antes do leite A1. O avanço do segmento indica potencial de expansão, sustentado pela diferenciação do produto, embora ainda limitado pela escala e pelo posicionamento como nicho de mercado. Fonte: Valor Online. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.