23/Apr/2026
O setor frigorífico brasileiro registra forte desempenho nas exportações de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, com avanço simultâneo de volumes e preços, porém com compressão das margens diante da elevação da arroba do boi gordo e da valorização do Real frente ao dólar. O cenário resulta em aumento de faturamento em moeda estrangeira, mas redução da rentabilidade por unidade, com perspectiva de maior incerteza ao longo do segundo semestre, especialmente em função do esgotamento da cota chinesa. Entre janeiro e março, o Brasil exportou 827,6 mil toneladas de carne bovina, alta de 10,98% na comparação anual, com receita de US$ 4,32 bilhões, avanço de 32,29%, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A carne in natura respondeu por US$ 3,98 bilhões, crescimento de 37,45%, com preço médio de US$ 5.642 por tonelada, alta de 14,61%. Apesar do desempenho, o custo do gado avançou em ritmo superior ao dos preços da carne, pressionando as margens.
Em São Paulo, o boi gordo subiu de cerca de R$ 320,00 por arroba no fim de 2025 para R$ 365,00 por arroba em meados de abril, alta de 14,06%. O repasse desse aumento ao longo da cadeia ocorre de forma parcial, elevando custos do produtor ao varejo e comprimindo a rentabilidade da indústria. Indicadores do setor apontam redução dos spreads da carne bovina exportada, com queda de 2% no comparativo anual do primeiro trimestre e de 4,8% frente ao trimestre imediatamente anterior. A tendência é de manutenção da pressão, sustentada pelo ciclo pecuário mais restrito, que limita a oferta de animais e mantém a arroba em trajetória de alta. Movimentos pontuais da indústria, como concessão de férias coletivas e paralisações temporárias, são interpretados como estratégias de ajuste e negociação, sem indicação de deterioração estrutural imediata do mercado. O ambiente segue sustentado por menor disponibilidade de animais, refletida na redução dos abates, especialmente de vacas e novilhas, indicando retenção de matrizes e menor oferta futura.
A valorização do Real, de R$ 5,49 no fim de 2025 para R$ 4,98 em abril, reduz a receita em moeda local das exportações, ampliando a pressão sobre as margens. Esse fator se soma ao custo elevado da arroba, tornando o câmbio um dos principais vetores de risco para a indústria. Parte do desempenho das exportações no início do ano está associada à antecipação de embarques para a China, diante da limitação da salvaguarda. A cota brasileira com menor tarifação, próxima de 1,1 milhão de toneladas, deve ser atingida até o início do segundo semestre, o que pode reduzir o suporte da demanda externa nos meses subsequentes. A China lidera como principal destino, com receita de US$ 1,816 bilhão no primeiro trimestre, alta de 41,83%, e volume de 325,68 mil toneladas, avanço de 39,35%. O preço médio foi de US$ 5.578,00 por tonelada, alta de 15%. O país respondeu por 46,4% do volume exportado e 45,6% da receita com carne in natura. Estimativas indicam que cerca de 42,86% da cota disponível para 2026 já foi utilizada no primeiro trimestre.
Com base em dados da Secex e do Ministério do Comércio da China (Mofcom), os embarques ao país asiático são estimados em 474,08 mil toneladas no período, refletindo aceleração dos fluxos no início do ano. No mercado interno, o consumo atua como fator de sustentação. A carne bovina registrou alta de 16% no primeiro trimestre, enquanto frango e suíno recuaram 11% e 22%, respectivamente. Com cerca de 70% da produção destinada ao consumo doméstico, o ambiente de estímulo à renda e maior demanda contribui para absorver parte da produção e sustentar preços. A combinação de custos elevados, câmbio desfavorável e incertezas no mercado externo tende a intensificar os desafios no segundo semestre. Ao mesmo tempo, a oferta global de proteínas permanece restrita, com estoques de carne bovina em níveis historicamente baixos, o que sustenta os preços internacionais. O equilíbrio entre menor oferta de animais e demanda interna aquecida limita quedas mais acentuadas na arroba, mesmo diante da possível redução das exportações após o esgotamento da cota chinesa, mantendo o mercado sustentado no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.