22/Apr/2026
Enquanto países sofrem com problemas na bovinocultura de corte, o Brasil surfa uma onda de recordes. Os Estados Unidos vêm passando por um momento único, e complicado, em sua vida pecuária. O rebanho é o menor da história (USDA) e a recuperação projetada para 2026 está aquém da necessidade para conter a alta que atinge os preços da carne bovina por lá. Ainda, casos de bicheira-do-novo-mundo na fronteira com o México levaram ao fechamento do trânsito de gado com seu parceiro comercial do Sul. Um movimento que bloqueou a importação de, aproximadamente, 1,0 milhão de cabeças. Desde 1989 (37 anos), Canadá e México foram os únicos fornecedores de bovinos ao país. Quando um deles teve problemas com a entrega (em 2004, com um caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina, a vaca louca, a importação do Canadá foi suspensa) o outro assumiu totalmente os envios.
Agora, tem-se a bicheira-do-novo-mundo causadora do fechamento da fronteira com o México e, assim, o Canadá passou a ser o único fornecedor para os estadunidenses. Com a suspensão da exportação de bovinos vivos do México para os Estados Unidos, o Brasil passou a ser o maior exportador mundial. Não que competissem pelos mesmos clientes, uma vez que o México atendia apenas os Estados Unidos, enquanto o Brasil atende clientes próximos do Oriente Médio. Mas outro ponto passou a ser a questão. A possibilidade de os Estados Unidos passarem a serem clientes de bovinos vivos do Brasil. Isso seria mesmo possível? O nível dos preços da carne bovina por lá pode estimular a demanda de confinadores/terminadores por bovinos do Brasil, com potencial para diminuir o custo de produção, e até estimular a retomada do rebanho bovino estadunidense. A bronca é com relação à raça. O grande exportador de bovinos de raças europeias (britânicas) no Brasil é o Rio Grande do Sul, que está a 11,2 mil quilômetros do porto de Houston-TX, o provável ponto de recepção dessas boiadas.
Em um cenário de frete marítimo elevado, isso seria um obstáculo. É uma viagem de 34 a 47 dias. Com um bovino brasileiro negociado, em média, considerando todos os transportes e seu faturamento (sem separar por Estado, região, categoria), temos um preço de US$ 3,07 por Kg de bovino. Enquanto a média de preços do bovino mexicano entrando nos Estados Unidos, segundo relatório do USDA, para fevereiro de 2025 (com trânsito ainda normal de bovinos), negociado em média por US$ 5,22 por Kg. Essa diferença, de US$ 2,15 por Kg, poderia compensar um frete maior e tarifas, entre outras despesas. Ou seja, existe a possibilidade, basta ver disponibilidade e a vontade de estimular esse negócio. Em março, o Brasil embarcou 91,7 mil bovinos vivos, sendo a Turquia o principal destino, com 41,5 mil bovinos (ou 45,3% dos embarques). Destes, 18,5 mil bovinos saíram do Rio Grande do Sul, e 15,7 mil bovinos saíram de São Paulo (considerando que as fontes de origem “Não Declaradas” foram referenciadas com o estado de pertencimento do porto de saída).
O Pará foi o Estado com o maior volume de bovinos exportados, com 46,2 mil cabeças (50,4% do volume). E também o originador com maiores clientes (Argentina, Argélia, Arábia Saudita, Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Marrocos). Chama a atenção a importação argentina, embora tenha sido um dos menores volumes embarcados, dos compradores do Pará. O Líbano foi o maior comprador, com 11,4 mil cabeças (12,4% do volume brasileiro e 24,7% do volume paraense exportado). A Turquia é o país que mais diversifica fornecedores, comprando bovinos de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Rondônia, Acre, Amazonas, Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Tocantins. A exportação brasileira está com bom desempenho. Isso mostra que temos volume para atender qualquer mercado, seja com carne ou com bovinos. Fonte: Alcides Torres. Broadcast Agro.