16/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, a queda das cotações no mercado doméstico de suínos reforça a necessidade de maior disciplina produtiva, com ajuste no ritmo de produção para reequilibrar o mercado diante da compressão das margens. Após relativa estabilidade em março, quando o suíno vivo em São Paulo foi negociado em torno de R$ 6,95 por quilo, com leve alta de 0,3%, os preços recuaram de forma significativa em abril. Na média do primeiro decêndio, a cotação caiu 7,7%, para R$ 6,40 por quilo, retornando a níveis observados entre 2022 e 2024 e ficando cerca de 25% abaixo dos registrados no ano anterior. A rentabilidade do setor foi impactada de forma direta. O spread da suinocultura permaneceu próximo de 10% em março, bem inferior aos 23% de um ano antes, com expectativa de recuo para cerca de 2% em abril, o menor patamar em quase três anos.
A pressão sobre as margens decorre principalmente da queda no preço do animal, enquanto os custos de ração ainda não registram alta significativa. Esse fator aumenta o risco para o setor, já que eventuais elevações nos insumos podem agravar o quadro de rentabilidade. O movimento de baixa ocorre mesmo diante do desempenho robusto das exportações. Em março, os embarques de carne suína in natura somaram 132 mil toneladas, recorde para o mês, com crescimento de 26% na comparação anual e avanço de 15% no acumulado do primeiro trimestre. Filipinas e Japão concentraram 43% das compras externas, com altas expressivas na demanda. Em 2025, as exportações absorveram cerca de 26% da produção nacional, contribuindo para limitar o crescimento da oferta interna, que avançou apenas marginalmente, apesar do aumento de 4% nos abates no início de 2026.
No cenário global, a produção segue em expansão, com destaque para a China, que deve atingir 59,5 milhões de toneladas em 2026. No Brasil, a produção é estimada em 4,9 milhões de toneladas, alta de 3,2%, com crescimento de 6,8% nas exportações. Os Estados Unidos também devem ampliar produção e embarques, enquanto a União Europeia projeta recuo tanto na produção quanto nas exportações. Pelo lado da demanda, o México se mantém como principal importador global, com compras estimadas em 1,7 milhão de toneladas, enquanto a China deve reduzir as importações em 15,8%, para cerca de 1 milhão de toneladas, refletindo o aumento da produção doméstica. O cenário reforça a necessidade de gestão mais rigorosa de custos e riscos, especialmente em um ambiente de margens apertadas e maior sensibilidade a variações nos preços dos insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.