08/Apr/2026
O avanço dos sistemas intensivos de produção de bovinos no Brasil tende a ampliar a demanda por bezerros e elevar a exigência de eficiência na fase de cria, em um contexto de maior uso de tecnologia e redução do ciclo produtivo. O movimento está associado ao encurtamento da recria e à intensificação nutricional, com foco na aceleração do giro de capital nas propriedades. A expansão de modelos como confinamento, semiconfinamento e terminação intensiva a pasto tem elevado a demanda por animais jovens para reposição. Os abates nesses sistemas mais intensivos já se aproximam dos volumes observados no confinamento tradicional, com mais de 19 milhões de bovinos processados nesse modelo.
Esse cenário aumenta a pressão sobre a fase de cria, que passa a ter papel estratégico no sistema produtivo. A redução do ciclo total depende menos dessa etapa, limitada pelo tempo biológico das matrizes, e mais da capacidade de encurtar a recria. Atualmente, o período de recria apresenta variação média entre 8 e 24 meses, indicando potencial relevante para ganhos de eficiência, com impactos diretos sobre produtividade e retorno por área. Sistemas intensificados permitem elevar o giro do rebanho e aumentar a lotação sem necessidade de expansão de área.
A redução do tempo de recria pode viabilizar, em determinadas condições, a duplicação do número de bovinos trabalhados na mesma área. A seca é apontada como principal restrição operacional, ao comprometer a qualidade das pastagens e limitar o ganho de peso nos sistemas a pasto. Para mitigar esse efeito, ganham relevância estratégias de suplementação e recria intensiva, com o objetivo de manter ganhos constantes ao longo do ano sem antecipar o acabamento dos bovinos. A eficiência na recria passa a depender da capacidade de promover crescimento de carcaça com controle do acúmulo de gordura, assegurando melhor desempenho produtivo e econômico no sistema. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.