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07/Apr/2026

Boi: dúvidas sobre primeiro giro do confinamento

Início do primeiro giro de confinamento tem dúvidas quanto à saída de boiadas e a certeza de margens potencialmente menores. Março e abril marcam na pecuária de corte brasileira o início do primeiro giro do confinamento de bovinos. O início do outono e consequente pressão climática frente às pastagens nos meses subsequentes (entressafra do capim) e o início da “safra de bezerros” no Brasil Central tornam o confinamento uma estratégia interessante para o período. Em 2025, o benchmarking do Confina Brasil-Scot Consultoria estimou o tamanho do confinamento de bovinos em 8,3 milhões de cabeças exclusivamente para a engorda, crescimento de 11,9% em relação à 2024 cuja quantidade confinada fora de 7,4 milhões de cabeças. Os confinadores visitados pela expedição estimam manter ou aumentar (87,5%) o rebanho de bovinos confinados em 2026. À época, algumas coisas estavam diferentes no mercado do boi gordo e vale a atenção: salvaguarda chinesa, guerra no Oriente Médio, aumento do preço da alimentação e da reposição.

Em média, para a terminação de um bovino são 107 dias de confinamento (Confina Brasil-Scot Consultoria). Considerando a entrada dos bovinos no primeiro giro de março a junho, o abate acontecerá entre junho e setembro. A exportação é importante para o confinamento. O padrão de acabamento, uniformidade de lote e peso fazem com que a produção destinada ao mercado externo seja facilitada. O setor desde o início do ano vive um desafio. A China, a partir de janeiro de 2026, adotou política de salvaguarda - com cotas e, ao excedente, tarifa adicional de 55,0%. A cota destinada ao Brasil é de 1,1 milhão de toneladas, menor que as compras chinesas em 2025. A China é o maior comprador de carne bovina do Brasil e a demanda cresce, justamente, a partir de junho e julho. A expectativa do comprador chinês de pagar mais pela carne bovina que tem sido, ano a ano, mais demandada pelo mercado local, pode mudar a sazonalidade de demanda e desacelerar o ritmo das compras, justamente quando há maior saída de boiadas. Estima-se que, no ritmo atual, entre junho e julho o Brasil preencherá a cota.

A possibilidade de uma oferta de gado confinado em volume maior ao longo do ano, com destaque para o segundo semestre, e uma exportação menor geram dúvidas sobre a manutenção dos preços ou maior firmeza, por ora, o mercado trabalha com este cenário indicando uma “curva invertida” entre o primeiro e o segundo semestre, sinal amarelo para o confinador. O principal fator de suporte acreditamos ser as vendas à China. Há pontos para considerar e ponderar que, são fundamentais nessa percepção. O sinal preocupa a demanda e o resultado do confinador? A oferta mundial de carne bovina está menor e os preços subindo. Um fornecedor como o Brasil, que, mesmo na fase de alta, mantém bons volumes de produção e preços em dólares, competitivos, pode vir a alterar o diálogo e abrir oportunidades, com a China, quanto à política de salvaguarda, como com outros países que temos conversado, como Japão e Coreia do Sul.

O mercado doméstico, por sua vez, que é o principal destino da produção brasileira, com 70,0% da fatia do mercado no primeiro trimestre, tem sido uma grata surpresa. A dúvida que fica: se o preenchimento da cota chinesa ocorrer em junho o mercado interno pode absorver um eventual “excedente”? Enxergamos que sim. Teremos, em junho, a Copa do Mundo de futebol. As confraternizações podem ser marcadas pelo churrasco e a cervejinha, empregos temporários devem ser gerados e a carga tributária do brasileiro, pós-IPVA, IPTU e outros, tende a ser menor, o que se soma à proximidade do período eleitoral no Brasil e, na sequência, a entrada do último trimestre, com empregos temporários, décimos terceiros, bonificações. É verdade que o conflito no Oriente Médio pode trazer pressão ao cenário, com destaque ao custo logístico, mas, por ora, enxergamos um mercado doméstico interessante. Analisando o primeiro giro do confinamento e a entrada da boiada em abril, o resultado é positivo.

Os cálculos baseiam-se no preço da B3 para o contrato com vencimento em junho (referência de 31/3/2026), de R$ 351,05 por arroba, o preço atual do boi magro com R$ 12,50 por arroba (R$ 4.871,52/cabeça), e o Índice de Custo Alimentar da Ponta (ICAP) em fevereiro de 2026 (R$ 15,41), acrescido do custo operacional. O resultado pode ser melhor - ou pior - a depender do cenário. Simulações exibem o potencial de retorno em diferentes cenários de preços para o boi gordo e para aquisição do boi magro. Diante das dúvidas que pairam no mercado, garantir o resultado da operação do confinamento é essencial. E há ferramentas para isso. Mas mais da metade dos confinadores ainda não usa ferramentas para amenizar risco. Um seguro de preço mínimo, no preço atual, pode ser uma boa para garantir o sono em uma eventual baixa e desfrutar de resultados, ainda melhores, em um potencial alta de preços. Em um ano onde há mais incertezas do que certezas, garantir o resultado e preservar margens será essencial. Fonte: Alcides Torres. Broadcast Agro.