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06/Apr/2026

Boi: valorização do bezerro eleva custo da reposição

O mercado de reposição bovina consolidou em março a trajetória de valorização observada ao longo do primeiro trimestre, com o bezerro atingindo recordes nominais e intensificando a pressão sobre a relação de troca. O cenário favorece a atividade de cria e impõe maior restrição à rentabilidade da recria e engorda, ainda que com sinais recentes de maior cautela nas negociações. O Indicador do Cepea/Esalq para o bezerro em Mato Grosso do Sul registrou média de R$ 3.264,50 por cabeça em março, avanço de 3,35% em relação a fevereiro e o maior nível, em termos reais, desde julho de 2021. Paralelamente, houve redução no peso médio dos animais comercializados, com 201,19 kg em março, frente a 204,08 Kg em fevereiro e 208,72 Kg em janeiro, indicando oferta mais restrita e maior participação de bovinos mais jovens nas negociações.

A menor disponibilidade de bezerros segue como principal fator de sustentação dos preços, reflexo da intensificação do abate de fêmeas desde 2022, que reduziu a base de produção. Esse movimento mantém o viés de alta no curto prazo, com possibilidade de continuidade da valorização diante do desequilíbrio entre oferta e demanda. Do lado da demanda, o período entre março e maio concentra maior procura por reposição, com recomposição de plantel após a saída de bois gordos. Esse fator sazonal contribui para sustentar os preços e ampliar a pressão sobre a relação de troca. Em março, foram necessárias 9,32 arrobas de boi gordo paulista para aquisição de um bezerro em Mato Grosso do Sul, patamar superior ao observado em anos anteriores.

Em São Paulo, a relação de troca indica necessidade de 14,9 arrobas de boi gordo para compra de um boi magro e de 9,8 arrobas para um bezerro de desmama, evidenciando deterioração do poder de compra dos recriadores e invernistas frente ao mês anterior. A pressão sobre as margens da engorda é reforçada pelo comportamento do ágio da arroba do bezerro em relação ao boi gordo, próximo de 41,9%, indicando encarecimento da reposição frente ao produto final. Apesar disso, a rentabilidade ainda encontra algum suporte na redução recente do dólar e nos custos nutricionais, embora com tendência de compressão. O atual movimento de mercado ocorre em um ciclo de valorização, com antecipação de altas que tradicionalmente se concentrariam no segundo semestre. Esse deslocamento temporal altera a dinâmica de preços e exige maior cautela na gestão de risco, especialmente em um ambiente de preços já acima das projeções iniciais do ano.

A antecipação da demanda também foi influenciada pela estratégia de frigoríficos em acelerar embarques para a China antes do atingimento de cota de 1,1 milhão de toneladas, limite a partir do qual incide tarifa adicional de 55%, fator que contribuiu para intensificar a valorização no primeiro semestre. Apesar da recente aproximação, os preços em termos reais ainda permanecem abaixo do pico observado em 2021. A mudança estrutural da pecuária, com ganhos de produtividade e aumento do peso médio dos animais, altera a base de comparação com ciclos anteriores. No curto prazo, o mercado de reposição permanece firme, sustentado pela oferta restrita, porém com margens mais ajustadas para a engorda e maior seletividade nas negociações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.