02/Apr/2026
A JBS inaugurou nesta quarta-feira (1º/04), em Florianópolis (SC), seu centro de biotecnologia no Brasil e passa a apostar no desenvolvimento de proteínas funcionais, as chamadas "superproteínas", como nova frente de agregação de valor à cadeia de alimentos. O projeto, batizado de JBS Biotech, recebeu investimento de US$ 37 milhões no País e faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia em biotecnologia, que incluiu a aquisição da Biotech Foods, na Espanha, em 2021. Instalado no Sapiens Parque, o centro foi estruturado para atuar desde a pesquisa básica até a aplicação industrial, com mais de 20 laboratórios integrados, além de infraestrutura de supercomputação, biobanco e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao desenho e à produção de proteínas com características específicas. "Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender a proteína em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais definidas”, afirmou a CEO do JBS Biotech, Fernanda Berti.
A iniciativa amplia a capacidade da empresa de desenvolver produtos com maior valor agregado. Trata-se do desenvolvimento de biotecnologia aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos. O centro reúne pesquisas em biotecnologia, fisiologia, farmacologia e ciência de dados para desenvolver proteínas com perfis específicos de aminoácidos, digestibilidade e funcionalidade. Entre as aplicações estão alimentos, suplementos e ingredientes com propriedades funcionais, além de soluções voltadas à saúde animal. A estrutura também foi desenhada para encurtar o tempo entre pesquisa e mercado, permitindo conduzir experimentos laboratoriais e testes em escala produtiva em uma mesma plataforma. Hoje, o ciclo de desenvolvimento de novos produtos pode levar de três a cinco anos, considerando etapas regulatórias. Outro eixo do projeto é o aproveitamento de coprodutos da cadeia produtiva.
A companhia afirma que tecnologias de extração e bioconversão permitem transformar resíduos em ingredientes de maior valor agregado, como colágeno funcional, enzimas e compostos bioativos, ampliando o conceito de economia circular. A inauguração do centro ocorre em um contexto de aumento da demanda global por proteínas e maior exigência por qualidade nutricional. Ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação. Com a inauguração do centro de biotecnologia, a JBS reforça a avaliação de que o consumo global de proteínas passa por uma mudança estrutural, com crescente demanda por produtos de maior valor agregado, movimento que sustenta a aposta da companhia nas chamadas "superproteínas". "Hoje, aparentemente, nosso negócio é frango, boi e suíno. Mas, na verdade, o nosso foco é atender à necessidade do consumidor”, afirmou o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni.
A companhia busca ampliar sua atuação ao longo da cadeia, indo além da proteína básica. A estratégia inclui o desenvolvimento de proteínas com funções específicas, voltadas a diferentes perfis de consumo. A ideia é desenhar proteínas para determinadas necessidades, com aplicações como ganho de massa muscular, saúde óssea, imunidade e longevidade. A transformação está ligada a uma mudança no comportamento do consumidor. O consumidor não quer mais só proteína. Ele quer saber qual é a qualidade, o perfil de aminoácidos, como aquilo vai fazer bem. Nesse contexto, a companhia vê espaço para capturar maior valor a partir da própria matéria-prima. A ideia é pegar matérias-primas que hoje têm menor valor agregado e dar super valor a elas. O avanço da ciência permite atuar diretamente na composição das proteínas. É possível definir perfis de aminoácidos, digestibilidade e funcionalidade, criando proteínas que, além de nutrir, podem atuar em respostas fisiológicas específicas.
O desenvolvimento dessas soluções combina biotecnologia, modelagem de dados e processos industriais, com uso de inteligência artificial e engenharia molecular. Além da personalização, a companhia também enxerga oportunidades na ampliação do uso de ingredientes e bioativos. Produtos com maior teor proteico já utilizam peptídeos desenvolvidos internamente, enquanto novas aplicações incluem alimentos, nutracêuticos, farmacêuticos e cosméticos. O avanço ocorre em um mercado em expansão. O segmento global de suplementos proteicos movimenta cerca de US$ 30 bilhões e cresce aproximadamente 10% ao ano, chegando a até 15% em categorias como whey protein. O avanço da biotecnologia deve permitir não apenas novos produtos, mas também ganhos de eficiência na cadeia e avanços em saúde animal. É um avanço muito grande de conhecimento, que pode ser aplicado em várias frentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.