01/Apr/2026
O Rabobank avaliou que o conflito no Oriente Médio já impacta as exportações brasileiras de carne bovina e de frango, com efeitos concentrados em custos e logística, sem interrupção dos fluxos comerciais. O aumento de fretes, seguros e despesas associadas ao petróleo, além de atrasos nos embarques, tem pressionado a operação, enquanto a demanda internacional permanece firme e sustenta o ritmo das vendas externas. A região do Oriente Médio responde por cerca de 9% das exportações brasileiras de carne bovina e por até 23% dos embarques de frango em 2026, com destaque para Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
A elevada dependência desses mercados em relação ao Brasil contribui para a manutenção dos fluxos, mesmo diante das dificuldades operacionais. Para mitigar os impactos logísticos, têm sido adotadas alternativas como redirecionamento de cargas para outros destinos e desembarque antes do Estreito de Ormuz, com posterior transporte terrestre até o destino final. Mesmo em cenário de prolongamento do conflito, não há indicação de mudanças estruturais no fornecimento no curto prazo, dada a limitação de alternativas competitivas para os importadores. Fatores sazonais e estratégicos reforçam a demanda, como o aumento do consumo durante o Ramadã e a formação prévia de estoques por parte dos importadores diante dos riscos geopolíticos.
Esse contexto reduz a probabilidade de substituição de fornecedores no curto prazo. O desempenho recente do setor contribui para amortecer os impactos. No primeiro bimestre, as exportações brasileiras de carnes registraram os melhores resultados da série histórica em volume e faturamento. No frango, os embarques somaram 930 mil toneladas, alta de 5% na comparação anual, com receita de US$ 1,8 bilhão, avanço de 8%. Na carne bovina, o crescimento foi de 24% em volume e de 40% em faturamento, impulsionado principalmente por China e Estados Unidos. Na parcial de março, começam a surgir reflexos do conflito, com recuo de 1,7% no volume diário embarcado de carne bovina e queda de 4% no frango, ainda que com preços médios mais elevados.
Além do Oriente Médio, o principal risco adicional vem da China, onde o ritmo acelerado de compras pode levar ao esgotamento antecipado da cota de importação brasileira. Aproximadamente um terço da cota já foi utilizado com os embarques do início do ano e volumes remanescentes de 2025, elevando o risco de restrições entre junho e julho. Nesse cenário, projeta-se queda de cerca de 4% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026. Entre as proteínas, a carne suína apresenta menor exposição ao conflito, com maior diversificação de mercados e ausência de dependência relevante do Oriente Médio.
Os embarques seguem em expansão, impulsionados principalmente pela demanda das Filipinas, diante de problemas sanitários locais, e pelo Japão. No mercado interno, o comportamento de preços difere entre as proteínas. Frango e suíno registraram recuo no início do ano, pressionados por menor consumo doméstico e excesso de oferta, enquanto o boi gordo permanece sustentado pela restrição de oferta. Para o segundo trimestre, a expectativa é de recuperação nos preços de frango e suíno, enquanto a carne bovina pode enfrentar pressão pontual com o aumento da oferta ao fim do período chuvoso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.