30/Mar/2026
Segundo o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC), a elevação do frete marítimo, com acréscimos de até US$ 4 mil por contêiner refrigerado, já pressiona a cadeia de proteína animal em Santa Catarina, em um cenário de intensificação das tensões no Oriente Médio e impactos diretos sobre o comércio global. Os conflitos no Golfo Pérsico têm afetado rotas estratégicas, elevando custos logísticos, ampliando incertezas e aumentando o tempo de trânsito das cargas. Esse movimento reduz a validade dos produtos e resulta, em alguns casos, na suspensão de reservas em navios com destino à região.
Além dos custos de transporte, há impactos operacionais relevantes, como limitações de infraestrutura portuária e restrições energéticas em determinados destinos, comprometendo o armazenamento de cargas refrigeradas. Esse cenário tem ampliado a ocorrência de rollover, quando a mercadoria permanece retida sem embarque. Os efeitos se estendem à competitividade do setor, uma vez que o aumento dos custos logísticos e as restrições operacionais afetam diretamente a capacidade de inserção no mercado internacional. Trata-se de um movimento global com reflexos locais, pressionando margens e exigindo ajustes na estratégia comercial. No campo dos custos de produção, o ambiente externo também exerce influência. A guerra entre Rússia e Ucrânia elevou em cerca de 50% o preço do milho à época, insumo que representa até 70% da ração animal.
Na produção de frango, aproximadamente 80% do custo total está ligado ao campo, reforçando a sensibilidade da atividade às oscilações de insumos. Apesar das pressões, Santa Catarina mantém relevância no comércio internacional de proteínas. Em 2025, o Estado exportou 748,8 mil toneladas de carne suína, com receita de US$ 1,85 bilhão, e 1,2 milhão de toneladas de carne de aves, com faturamento de US$ 2,45 bilhões. O agronegócio responde por cerca de 70% das exportações estaduais e por aproximadamente 31% do Produto Interno Bruto do Estado. Diante desse cenário, a cadeia de proteína animal demanda reforço de eficiência interna e diversificação de mercados como estratégias para mitigar riscos e reduzir a exposição às variáveis externas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.