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27/Mar/2026

Boi: exportação e queda em abates impulsionam preço

Segundo o Rabobank, as exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo recorde em 2026 e, combinadas à redução da oferta interna, devem sustentar a tendência de alta nos preços do boi gordo ao longo do ano. Os fundamentos apontam para a manutenção da tendência de alta nos preços tanto do boi gordo quanto do bezerro. No lado externo, a demanda aquecida continua sendo o principal motor. Em fevereiro, o Brasil embarcou cerca de 267 mil toneladas, o maior volume já registrado para o período, com alta de 23% ante igual mês do ano anterior. A receita cresceu ainda mais, 39%, alcançando US$ 1,4 bilhão. No acumulado do bimestre, os embarques somaram 526 mil toneladas e US$ 2,8 bilhões, avanços de 24% e 39%, respectivamente, também recordes. China e Estados Unidos seguem liderando as compras, perfazendo 43% e 13% do volume exportado, respectivamente.

Mesmo assim, observa-se uma diversificação relevante dos destinos. A queda na participação da China nos embarques totais, mesmo com o forte aumento de 32% nas compras, reflete a expansão da demanda de mercados como México, Rússia, Chile e União Europeia. A dinâmica chinesa, porém, segue como ponto central de atenção. Os volumes negociados com o país asiático estão entre os maiores da história para o período, em um movimento de antecipação por parte dos importadores. Em apenas dois meses já foi preenchido cerca de um terço da cota de 1,1 milhão de toneladas, o que pode provocar um choque de demanda e pressionar os preços no segundo semestre. Outro vetor de sustentação das exportações vem do México. Mesmo com a tarifa de 20% e a rápida utilização da cota inicial de 70 mil toneladas, a alta competitividade da carne brasileira e o esforço para reduzir a dependência dos Estados Unidos têm permitido a continuidade dos embarques.

A expectativa de aumento do consumo, impulsionada pela Copa do Mundo, também reforça esse movimento. Apesar do conflito no Oriente Médio, os impactos sobre o comércio de carne bovina têm sido limitados até o momento. Eles se concentram em questões operacionais, como atrasos logísticos, e financeiras, como fretes mais caros e multas, sem alterar de forma relevante o fluxo de exportações. No mercado doméstico, porém, o quadro é mais apertado. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam que os abates caíram 9% em fevereiro, com recuos de 10% para machos e 8% para fêmeas, sinalizando a inversão do ciclo pecuário e menor oferta de animais. Esse movimento tende a se intensificar com o fim do período chuvoso e a piora das pastagens, o que pode gerar pressão adicional de curto prazo sobre a oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.