27/Mar/2026
A JBS registrou lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025, avanço de 1% ante igual período de 2024, informou a companhia nesta quarta-feira. A receita líquida atingiu US$ 23,06 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O Ebitda ajustado recuou 7,1% no período, para US$ 1,72 bilhão, com a margem caindo de 9,2% para 7,4%, uma compressão de 1,8%. O lucro por ação ficou estável em US$ 0,39. Na mesma base, o lucro operacional ajustado caiu 15,4%, para US$ 1,09 bilhão. Segundo o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, o crescimento foi consistente mesmo em um ambiente mais desafiador. “A gente cresceu em todos os negócios. Isso mostra a vitalidade da companhia”, afirmou. A principal pressão sobre o resultado veio do aumento dos custos do gado na América do Norte, em um cenário de oferta restrita, comprimindo margens e limitando o avanço do Ebitda consolidado. Apesar disso, a companhia manteve forte geração de caixa.
O fluxo de caixa livre somou US$ 990 milhões no trimestre, enquanto a alavancagem encerrou em 2,39 vezes dívida líquida/Ebitda, acima de 1,89 vez um ano antes, mas em linha com a meta de longo prazo. A dívida líquida totalizou US$ 16,32 bilhões ao fim de dezembro, alta de 20% em relação aos US$ 13,58 bilhões de um ano antes. O CFO da companhia, Guilherme Cavalcanti, destacou que cerca de um terço da dívida vence após 2050 e que a empresa tem “praticamente cinco anos sem amortizações relevantes”, o que amplia a flexibilidade para enfrentar cenários de maior volatilidade. No acumulado do ano, a JBS registrou lucro líquido de US$ 2,02 bilhões, alta de 15% em relação aos US$ 1,77 bilhão de 2024. A receita líquida atingiu US$ 86,18 bilhões em 2025, crescimento de 12% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado somou US$ 6,83 bilhões, queda de 5%, com margem de 7,9%, recuo de 1,4%. O lucro por ação avançou 15%, para US$ 1,89, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROE) atingiu 25,3% no período.
A geração de caixa livre foi de US$ 400 milhões no ano, abaixo dos US$ 2,33 bilhões registrados em 2024, refletindo maior consumo de capital de giro e investimentos. A JBS registrou forte contraste operacional nas suas operações no quarto trimestre de 2025, com queda expressiva na rentabilidade do negócio de bovinos nos Estados Unidos e avanço relevante no Brasil. Na divisão de carne bovina na América do Norte, o Ebitda caiu 49,8% no trimestre, para US$ 56 milhões, com margem de apenas 0,7%, apesar do crescimento de 19,7% na receita, para US$ 7,66 bilhões. O desempenho reflete o avanço dos preços do gado acima dos preços da carne, em um ambiente de oferta restrita nos Estados Unidos, agravado por limitações na importação de animais do México ao longo do ano. Por outro lado, no Brasil a companhia registrou receita de US$ 4,38 bilhões no trimestre, alta de 26% na comparação anual, com Ebitda de US$ 288 milhões, avanço de 24,7%, sustentado por preços mais elevados, demanda doméstica aquecida e expansão das exportações.
Outras unidades também contribuíram para mitigar a pressão nos Estados Unidos. A Pilgrim’s Pride registrou receita de US$ 4,5 bilhões no trimestre (+3,4%), com Ebitda de US$ 557 milhões, ainda que com queda de 13,6% e margem recuando para 12,3%. A Seara teve receita de US$ 2,49 bilhões (+9,6%), mas o Ebitda caiu 8,1%, para US$ 413 milhões, com compressão de margens diante da alta de custos. Na divisão de suínos nos Estados Unidos, a receita subiu 7,5%, para US$ 2,15 bilhões, enquanto o Ebitda recuou 33,6%, refletindo margens mais pressionadas. A operação na Austrália foi destaque positivo, com receita crescendo 29,7%, para US$ 2,29 bilhões, e Ebitda avançando 54,5%, para US$ 217 milhões, impulsionada por preços mais altos e ganhos de eficiência operacional. No acumulado do ano, a JBS manteve crescimento em praticamente todas as unidades, com destaque para Brasil e Austrália, enquanto a operação de bovinos na América do Norte seguiu pressionada pelo ciclo pecuário.
A divisão de bovinos na América do Norte registrou receita de US$ 28,14 bilhões, alta de 15,9%, mas teve Ebitda negativo de US$ 319 milhões no ano. A Pilgrim’s Pride apresentou receita de US$ 18,48 bilhões (+3,5%) e Ebitda de US$ 2,80 bilhões (+3,7%). No Brasil, a JBS teve receita de US$ 15,29 bilhões (+21,5%), com Ebitda de US$ 955 milhões (-1%). A Seara registrou receita de US$ 9,17 bilhões (+4,5%) e Ebitda de US$ 1,55 bilhão (+1%). Na divisão de suínos nos EUA, a receita foi de US$ 8,43 bilhões (+3,9%), enquanto o Ebitda caiu 16,1%, para US$ 899 milhões. Já a Austrália teve receita de US$ 8,08 bilhões (+21,5%) e Ebitda de US$ 916 milhões (+37,9%). A JBS vê 2026 como um ano de maior complexidade operacional, marcado por margens mais pressionadas em alguns mercados, mas também por oportunidades decorrentes da volatilidade global, afirmou o CEO global, Gilberto Tomazoni. "Nós estamos otimistas para o ano. Vai ter dificuldades e vai ter oportunidades”, disse.
O principal ponto de atenção segue sendo os Estados Unidos, onde a companhia não vê melhora relevante no curto prazo no setor de carne bovina. "Nos Estados Unidos, nós não vemos mudança importante, acho que vai continuar sendo um ano difícil”, afirmou, reforçando a expectativa de continuidade da pressão sobre margens no segmento. Apesar disso, a empresa enxerga vetores positivos em outras regiões. A Austrália, por exemplo, segue em ciclo favorável e foi um dos destaques de 2025. No Brasil, o executivo destacou que, mesmo diante de incertezas externas, há espaço para captura de valor com ajustes estratégicos. "Todo desafio traz dentro dele oportunidade nesse mercado”, afirmou. Segundo ele, a aposta em verticalização e em um mix de produtos de maior valor agregado tem ampliado a competitividade tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
Em relação ao cenário geopolítico, a companhia não observa, até o momento, disrupções relevantes no fluxo de vendas. "Até agora, nossos fluxos se mantiveram, não tivemos interrupção”, disse. Segundo Tomazoni, ajustes logísticos pontuais, como redirecionamento de cargas, têm ocorrido, mas os custos adicionais vêm sendo absorvidos pelos clientes, diante da necessidade de abastecimento. Ainda assim, o executivo reconheceu o elevado grau de incerteza à frente, com potenciais efeitos indiretos sobre custos e cadeias produtivas. “Pode melhorar tudo ou pode se complicar mais”, afirmou, ao mencionar possíveis impactos sobre fertilizantes e outras commodities. Por fim, Tomazoni ressaltou que a estratégia da companhia está centrada no controle dos fatores internos e na capacidade de execução diante de um ambiente volátil. “Nós temos que continuar focados nas coisas que estão na nossa mão”, afirmou.
Os investimentos da JBS em 2026 devem ser mais direcionados para a expansão de capacidade em diferentes geografias, em um movimento que reflete a priorização do crescimento orgânico diante da ausência de oportunidades relevantes de aquisições no curto prazo. O capex da companhia para o ano é estimado entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,4 bilhão. "Não há expectativa de anunciar aquisições no curto prazo", resumiu o CEO global Gilberto Tomazoni. Segundo o CFO, Guilherme Cavalcanti, os recursos serão direcionados a projetos já anunciados e distribuídos ao longo do ano, incluindo iniciativas nos Estados Unidos, América do Sul e Oriente Médio. “Tudo que a gente tem anunciado vai estar nesse Capex”, afirmou Cavalcanti. Entre os principais projetos estão a expansão da unidade de Hyrum, no Estado de Utah, investimentos em processamento de carne suína em Iowa, além de iniciativas no Paraguai, Omã e uma expansão planta de carne bovina em Cactus, no Texas.
Os aportes reforçam a estratégia de ganho de escala e eficiência operacional em mercados considerados estratégicos pela companhia. Apesar do histórico da JBS em crescimento via aquisições, a companhia sinaliza uma postura mais cautelosa no cenário atual. "A gente está sempre atrás de oportunidades no mundo todo, mas não há nada que a gente esteja muito focado no momento”, disse Tomazoni. Segundo ele, a ausência de ativos atrativos levou a empresa a redirecionar esforços para expansão interna. Nesse contexto, a alocação de capital também contempla a remuneração aos acionistas. “Temos também alocando capital para os acionistas, pagando dividendos”, afirmou o CEO. Fonte: Broadcast Agro.