27/Mar/2026
Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o mercado brasileiro de suínos iniciou março de 2026 com sinais de estabilização nos preços após um início de ano marcado por quedas. No entanto, o cenário segue desafiador para os produtores diante do avanço dos custos de produção. Após queda nas cotações nos meses de janeiro e fevereiro, o preço do suíno estabilizou em março, refletindo um ajuste recente entre oferta e demanda no mercado interno. A estabilização das cotações ocorre em um contexto de maior oferta. No primeiro bimestre de 2026, os abates cresceram cerca de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando avanço da produção.
Ao longo de 2025, o crescimento da produção já vinha sendo observado, mesmo com o avanço das exportações. Ainda assim, o mercado interno segue como principal destino da carne suína, sustentando o consumo. O consumo per capita de carne suína no Brasil segue em patamar elevado, acima de 20 Kg por habitante ao ano, indicando boa absorção da produção pelo mercado interno. Além disso, a dinâmica entre proteínas influencia diretamente o setor. A redução na oferta de bovinos no início do ano contribuiu para a valorização da arroba do boi gordo, alterando a competitividade. O comportamento do frango, principal proteína concorrente, também impacta o mercado.
Apesar da estabilidade nos preços, os custos seguem em trajetória de alta, principalmente com alimentação animal. A relação de troca entre o preço do suíno e os insumos vem se deteriorando desde outubro de 2025. O milho é o principal fator de pressão no momento, enquanto o farelo de soja apresenta maior estabilidade relativa. O atraso no plantio da 2ª safra de milho de 2026 aumenta as incertezas sobre a oferta do grão nos próximos meses. Condições climáticas adversas têm dificultado o avanço do plantio, o que pode pressionar ainda mais os custos da ração. Além dos fatores internos, o ambiente global também impacta o setor.
A guerra no Oriente Médio tem efeitos indiretos relevantes, especialmente por meio da elevação dos preços de combustíveis e fertilizantes. Esse movimento pressiona toda a cadeia produtiva, desde os custos de produção até a logística. A combinação entre preços ainda fragilizados e custos elevados resultou em margens apertadas no início do ano, com fevereiro registrando um dos períodos mais desafiadores recentes para os produtores. Apesar das exportações de carne suína ainda em crescimento, o setor se encontra em um dos momentos mais delicados dos últimos dois anos, com fortes indicativos de que estamos saindo de um ciclo muito favorável para um período bastante desafiador para a atividade.
Os impactos do conflito no Oriente Médio já são percebidos no agronegócio brasileiro e o suinocultor deve ficar atento aos movimentos especulativos comuns nesse ambiente de incertezas. Diante desse contexto, a ABCS avalia que os próximos meses serão determinantes para o desempenho da suinocultura brasileira. A evolução da safra de milho e os desdobramentos do cenário geopolítico devem seguir como os principais fatores de influência sobre os custos de produção e a recuperação das margens. Em um ambiente ainda marcado por incertezas, o setor deve continuar operando com cautela, atento ao equilíbrio entre oferta e demanda e às variáveis externas que impactam diretamente sua competitividade. Fonte: Agrimídia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.