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27/Mar/2026

Leite: preços deverão reagir no Brasil em 2026

O Rabobank avaliou que os preços do leite no Brasil devem iniciar um movimento de recuperação em 2026, após uma forte correção ao longo de 2025. Ainda assim, o ambiente deve continuar sendo de margens apertadas e crescimento limitado da produção. Os preços mais baixos dos lácteos devem favorecer uma recuperação moderada da demanda e dos preços no primeiro semestre de 2026 criando uma base para recomposição gradual ao longo do ano. Apesar disso, o cenário é de cautela, diante de restrições tanto do lado da oferta quanto do consumo. A queda acentuada dos preços ao produtor foi o principal fator de pressão recente. O movimento levou o preço ao produtor de níveis acima de R$ 2,80/litro para cerca de R$ 2,00/litro em dezembro.

Essa correção, iniciada em março de 2025 e prolongada por nove meses, reduziu significativamente a rentabilidade no campo. Os efeitos já são visíveis em 2026. Indicadores de rentabilidade atingiram mínimas recentes, sendo de R$ 22,50/vaca/dia em janeiro de 2026, o menor patamar desde 2022. Com isso, a expectativa é de desaceleração da produção primária, com crescimento limitado na primeira metade de 2026. Esse quadro contrasta com o desempenho observado no ano passado. Em 2025, a produção brasileira de leite avançou cerca de 6,8%, representando o maior crescimento entre anos desde 2010, impulsionada por custos sob controle, clima favorável e investimentos no campo. No entanto, esse avanço encontrou um mercado doméstico fragilizado.

O consumo não apresentou expansão significativa ao longo do ano, em razão das pressões inflacionárias. O ambiente de renda comprimida limitou a absorção da oferta adicional e contribuiu para a queda dos preços. Para 2026, o consumo ainda deve enfrentar entraves macroeconômicos. O banco alerta para o elevado endividamento das famílias e a limitada recuperação do poder de compra, além da perspectiva de juros elevados por mais tempo. Por outro lado, a manutenção de baixos níveis de desemprego e a queda recente dos preços podem estimular uma reação gradual da demanda. No cenário externo, os impactos do conflito no Oriente Médio tendem a se concentrar mais nos custos do que na demanda. O aumento dos preços do diesel e dos fertilizantes tende a pressionar negativamente os custos do produtor global.

O efeito sobre o comércio internacional de lácteos deve ser limitado, dado o baixo peso da região afetada nas exportações globais. No Mercosul, por exemplo, essa participação é de apenas 0,5%. No comércio brasileiro, o as importações recuaram 7,4% em volume nos últimos 12 meses até janeiro e devem seguir em queda no primeiro semestre de 2026, o que pode ajudar a equilibrar o mercado doméstico. Apesar do ambiente desafiador, há diferenças relevantes dentro do setor. Os grandes produtores (acima de 10.000 litros/dia) continuam em ritmo de crescimento elevado, sustentados por investimentos e preços ao produtor acima da média, o que reforça um movimento de consolidação na cadeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.