24/Mar/2026
O consumo de carne bovina no Brasil permanece estável e deve seguir presente na dieta da população em 2026, com manutenção da frequência de ingestão e maior atenção dos consumidores a fatores como sustentabilidade, origem e qualidade do produto. Levantamento nacional realizado com 1.021 entrevistados indica que 63% dos brasileiros consomem carne bovina duas ou mais vezes por semana, enquanto 21% ingerem ao menos uma vez por semana. Outras parcelas apresentam menor frequência, com 8% consumindo a cada duas semanas, 5% uma vez por mês e 3% em intervalos superiores a um mês, evidenciando baixa rejeição ao produto. O consumo está concentrado principalmente no ambiente doméstico, com destaque para refeições como almoço, além de ocasiões de lazer.
Os supermercados representam o principal canal de compra, com 69% das preferências, seguidos pelos açougues, que mantêm participação relevante. Entre as demais proteínas, a carne de frango apresenta maior frequência de consumo, com 71% da população ingerindo duas ou mais vezes por semana e 15% ao menos uma vez por semana. Em menor proporção, 7% consomem a cada duas semanas, 4% uma vez por mês, 2% em frequência inferior e 1% não consome. O produto mantém elevada presença na dieta, impulsionado por preço mais acessível e versatilidade. Os preços do frango apresentam recuo nas regiões monitoradas, com o produto resfriado negociado, em média, a R$ 6,73 por quilo na parcial de março, configurando o menor nível desde julho de 2023 em termos reais.
Esse movimento amplia a competitividade frente a outras proteínas. A carne suína ocupa posição intermediária no consumo, com 21% dos brasileiros ingerindo duas ou mais vezes por semana e 26% ao menos uma vez semanalmente. Há ainda 15% que consomem a cada duas semanas, 14% uma vez por mês e 14% em frequência inferior, além de 11% que não consomem o produto, refletindo restrições relacionadas a hábitos alimentares. O consumo de pescado é menos frequente e mais irregular, com 15% da população ingerindo duas ou mais vezes por semana e 22% ao menos uma vez semanalmente. Outros 16% consomem a cada duas semanas, 19% uma vez por mês e 21% em frequência inferior, enquanto 7% não consomem, indicando limitações relacionadas a preço, acesso e hábito.
As perspectivas de consumo para os próximos seis meses indicam estabilidade, com 72% dos consumidores mantendo o nível atual de ingestão de carne bovina, 12% com intenção de aumento, 12% de redução, 3% sem definição e 1% com intenção de interrupção do consumo. No segmento de proteínas animais, há expectativa de crescimento do consumo per capita em 2026, com carne de frango projetada em 47,3 quilos por habitante ao ano e carne suína em 19,5 quilos. A produção também deve avançar, com alta de 2% para frango, atingindo 15,6 milhões de toneladas, e de até 2,7% para suínos, sustentada pela demanda interna e pelo cenário externo. A sustentabilidade assume papel relevante na decisão de compra.
Cerca de 44% dos consumidores consideram muito importante que a carne bovina seja produzida de forma sustentável e 34% classificam como importante. Outros 12% atribuem importância intermediária, enquanto 4% consideram pouco relevante, 2% não veem relevância e 4% não souberam avaliar. Em relação à disposição de pagamento, 51% dos consumidores aceitariam pagar um pouco mais por carne com certificação de sustentabilidade e 22% estariam dispostos a pagar valores mais elevados, enquanto 27% não pagariam adicional. A rastreabilidade e a origem do produto também ganham relevância, com 44% dos consumidores interessados em saber a procedência e 33% classificando esse fator como muito importante. Outros 16% atribuem importância intermediária, enquanto 4% consideram pouco relevante e 1% não atribui importância.
Quanto ao pagamento por informações de procedência, 44% aceitariam pagar um pouco mais e 19% valores mais elevados, enquanto 38% não pagariam adicional. Na preferência por raças, 37% dos consumidores indicam predileção por carne Angus e 23% por Nelore. Raças consideradas premium, como Wagyu e Hereford, apresentam menor participação, com 3% e 2%, respectivamente, enquanto 34% não identificam ou não possuem preferência definida. O cenário evidencia manutenção da demanda por carne bovina no mercado interno, com avanço da exigência por atributos de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade, fatores que tendem a influenciar a dinâmica de produção e comercialização ao longo da cadeia. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.