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23/Mar/2026

Frango: guerra no Oriente Médio reduz exportações

As exportações brasileiras de carne de frango registraram desaceleração entre a primeira e a segunda semana de março, em função dos impactos logísticos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apesar da redução no ritmo dos embarques, o setor adotou estratégias operacionais para evitar uma queda mais acentuada no volume destinado a um de seus principais mercados. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a média diária de embarques recuou de 26.463 toneladas na primeira semana para 18.889 toneladas na segunda semana do mês. Ainda assim, o desempenho acumulado segue próximo ao observado no mesmo período do ano anterior, sustentado por ajustes logísticos, redirecionamento de cargas e utilização de rotas alternativas. A expectativa do setor é que o volume exportado em março se aproxime do registrado em igual mês de 2025, quando foram embarcadas 476 mil toneladas.

O Oriente Médio representa cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango e absorveu aproximadamente 1,5 milhão de toneladas no ano passado, mantendo-se como um dos principais destinos do produto. Diante das restrições associadas às rotas tradicionais, especialmente na região do Golfo Pérsico, exportadores passaram a intensificar o uso de alternativas logísticas. Entre as principais estratégias estão embarques via Mar Vermelho, utilização de portos na Arábia Saudita, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, além de operações por Omã e pela Turquia, com redistribuição terrestre para mercados como o Iraque. Parte dos volumes também foi redirecionada para outros destinos ou ajustada por meio de transbordos.

Essas mudanças operacionais elevaram os custos logísticos, com aumento do frete marítimo e despesas adicionais com transporte terrestre e transbordo. As elevações variam entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada, dependendo da rota adotada. Apesar disso, o setor avalia que a manutenção do fluxo comercial tem prioridade, diante do risco de perda de mercado. No acumulado até a segunda semana de março, a média diária de embarques foi de 22.675 toneladas, recuo de 1,73% em relação às 23.074 toneladas registradas no mesmo intervalo do ano anterior, com volume total de 226.760 toneladas. O desempenho indica que parte relevante das exportações já está sendo sustentada pelas novas alternativas logísticas, mesmo em ambiente de elevada volatilidade.

Empresas do setor também reforçaram estratégias de antecipação de estoques e presença regional para mitigar impactos. A combinação de estoques previamente posicionados, flexibilidade operacional e adaptação logística tem permitido a continuidade do abastecimento, mesmo diante das restrições impostas pelo conflito. A avaliação do setor é que a demanda do Oriente Médio permanece ativa, embora o atendimento esteja mais caro e complexo. A manutenção dos embarques em níveis próximos aos do ano anterior é interpretada como resultado da rápida adaptação operacional em um cenário de disrupção logística relevante. O principal desafio no curto prazo é a sustentabilidade desse arranjo logístico, diante da incerteza sobre a duração do conflito e da continuidade da divisão dos custos adicionais entre exportadores, importadores e operadores logísticos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.