23/Mar/2026
O preço do leite ao produtor apresentou reação em janeiro de 2026, após nove meses consecutivos de queda, em um movimento ainda moderado diante do cenário de oferta elevada no mercado de lácteos. O valor médio pago ao produtor na “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) atingiu R$ 2,0216 por litro, com alta de 0,9% frente a dezembro de 2025. Na comparação anual, no entanto, houve retração de 26,9% em termos reais, considerando valores deflacionados pelo IPCA. A leve recuperação reflete um mercado ainda abastecido, mas com sinais de pressão sobre a base produtiva.
A tendência é de intensificação da alta a partir de fevereiro, impulsionada pela maior competição entre indústrias na aquisição de leite cru. Ao longo de 2025, a sequência de quedas nos preços reduziu as margens dos produtores, resultando em menor nível de investimento na atividade. Em fevereiro de 2026, o Custo Operacional Efetivo (COE) voltou a subir, com alta de 0,32% na média nacional. Apesar da elevação dos custos, a relação de troca apresentou melhora no início do ano, favorecida pela queda nos preços do milho e pela recente valorização do leite. Do lado da oferta, a captação foi impactada pela sazonalidade. O Índice de Captação de Leite registrou recuo de 3,6% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, com destaque para retrações nas Região Sul e em São Paulo.
No mercado de derivados, o cenário começou a se ajustar em fevereiro, com leve recuperação dos preços no atacado, especialmente para leite UHT e queijo muçarela, sustentada pela redução da oferta de matéria-prima e pelo fortalecimento da demanda. A tendência é de continuidade desse movimento ao longo de março, com possível intensificação da valorização dos derivados. No comércio exterior, as exportações de lácteos registraram crescimento de 17% em fevereiro, enquanto as importações avançaram 2%, totalizando 178,53 milhões de litros em equivalente leite. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.