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20/Mar/2026

Boi: resultado da Minerva no 4º trimestre de 2025

A Minerva encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 85 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,57 bilhão registrado no mesmo período de 2024, em um contexto de expansão operacional, avanço de receita e melhora na estrutura de capital. No consolidado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 848,3 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 1,56 bilhão observado em 2024. O desempenho no trimestre foi sustentado por crescimento relevante dos indicadores operacionais. O Ebitda somou R$ 1,17 bilhão, alta de 24,1% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda ficou em 8,2%, com leve recuo em relação aos 8,8% registrados um ano antes. A receita líquida atingiu R$ 14,2 bilhões, avanço de 32,6%, refletindo maior volume de vendas, aumento da atividade e consolidação dos ativos adquiridos na América do Sul. No acumulado de 2025, o Ebitda alcançou R$ 4,8 bilhões, crescimento de 54,1%, enquanto a receita líquida somou R$ 54,8 bilhões, alta de 60,9%, ambos em níveis recordes. O desempenho superou as expectativas iniciais, com receita e Ebitda cerca de 20% acima do consenso de mercado, além de geração de caixa positiva, em contraste com a expectativa inicial de resultado negativo.

A estrutura de capital apresentou melhora relevante ao longo do período. A alavancagem encerrou dezembro em 2,6 vezes dívida líquida/Ebitda, ante 3,7 vezes no mesmo período do ano anterior, sustentada pela geração de caixa e pela gestão de passivos. Em 2025, a companhia recomprou e cancelou US$ 586,3 milhões em títulos de dívida, em estratégia voltada à redução do endividamento e alongamento do perfil financeiro. A geração de caixa livre totalizou R$ 1,5 bilhão no ano, acumulando R$ 8,9 bilhões desde 2020. No âmbito operacional, o quarto trimestre registrou crescimento de 21,5% no volume de vendas, para 497,8 mil toneladas, enquanto o abate avançou 24,5%, totalizando 1,48 milhão de cabeças. A receita bruta no período somou R$ 15,1 bilhões, alta de 31,8%, com as exportações respondendo por 60% do total. O desempenho foi impulsionado pela integração antecipada dos ativos na América do Sul, permitindo ganho de escala, aceleração de volumes e captura de sinergias operacionais. No consolidado anual, o volume vendido cresceu 31,5%, para 1,97 milhão de toneladas, e o abate avançou 35%, somando 5,96 milhões de cabeças.

A receita bruta totalizou R$ 58 bilhões, alta de 59,7% na comparação anual. Os ativos incorporados contribuíram com R$ 12,1 bilhões em receita e 481,9 mil toneladas em volume, com projeção anualizada próxima de R$ 16 bilhões e Ebitda entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão. O ambiente internacional contribuiu para o desempenho, com restrição de oferta de gado, especialmente nos Estados Unidos, e demanda aquecida em mercados relevantes. A redução do rebanho norte-americano sustentou preços e ampliou oportunidades para exportadores da América do Sul. A China permaneceu como principal destino das exportações, enquanto países do Sudeste Asiático, como Indonésia, Vietnã, Malásia e Filipinas, ampliaram a demanda. O México também se destacou como mercado relevante. Em relação ao cenário geopolítico, os impactos do conflito no Oriente Médio foram limitados sobre as receitas, com maior pressão concentrada nos custos logísticos e de energia. A região respondeu por cerca de 10% das exportações em 2025, equivalente a aproximadamente 6% da receita total, com parcela reduzida enfrentando dificuldades operacionais.

O aumento dos custos de frete e energia foi apontado como principal efeito indireto, com impacto potencial condicionado à duração do conflito nos próximos meses. Para 2026, a estratégia está concentrada na redução do endividamento, com priorização da geração de caixa livre e disciplina na alocação de capital. Considerando a repetição do desempenho de 2025, a projeção indica geração de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, com cerca de R$ 500 milhões destinados a dividendos e o restante direcionado à amortização da dívida, com expectativa de redução adicional da alavancagem para patamar mais próximo de 2 vezes. A política de dividendos permanece condicionada ao nível de alavancagem, com distribuição mínima de 50% do lucro líquido sempre que o indicador ficar abaixo de 2,5 vezes. A dívida líquida encerrou 2025 em R$ 12,8 bilhões, cerca de R$ 3 bilhões abaixo das expectativas de mercado. As perspectivas para 2026 indicam crescimento de receita entre 6% e 10%, sustentado pelo cenário de menor oferta global de carne bovina e possibilidade de repasse de preços no mercado internacional.

Ainda assim, a expectativa é de margens mais pressionadas, refletindo o avanço do ciclo pecuário no Brasil, com aumento do preço do gado, além de elevação de custos com frete, energia e combustíveis. O ambiente internacional também apresenta maior volatilidade, com mudanças recentes em mercados relevantes como Estados Unidos, China, México e Chile. A estimativa de redução da produção global de carne bovina em até 1 milhão de toneladas em 2026 pode favorecer a recomposição de preços, embora não deva compensar integralmente as pressões de custos. A diversificação geográfica das operações segue como fator relevante para mitigação de riscos, permitindo arbitragem entre mercados e compensação de restrições comerciais regionais. A continuidade da integração dos ativos e a captura de sinergias permanecem como vetores centrais para sustentar a geração de caixa e a desalavancagem ao longo do ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.