20/Mar/2026
Segundo a MBRF, a América do Sul deve registrar crescimento entre 7% e 8% no volume de produção de proteínas em 2026, sustentado por ganhos de capacidade, diversificação geográfica e estratégias comerciais, mesmo diante de um cenário de menor oferta de gado na região. No Brasil, o principal vetor de expansão será a unidade de Promissão (SP), que ainda opera abaixo da capacidade plena. A expectativa é de crescimento em torno de 20% na planta, sem necessidade de novos investimentos, com avanço já projetado para o primeiro semestre. Em outros mercados sul-americanos, a perspectiva também é positiva. No Uruguai, a retomada de volumes depende das condições climáticas, enquanto a Argentina deve se beneficiar de preços elevados no mercado internacional e ampliação de oportunidades de exportação, impulsionadas por cotas valorizadas.
Apesar da restrição na oferta de gado, o modelo operacional baseado em complexos industriais e integração com confinamentos próprios contribui para sustentar o crescimento e a rentabilidade. Parte relevante da demanda é atendida por produção própria, permitindo maior flexibilidade na destinação para mercados de maior valor agregado. O ambiente global permanece favorável ao setor de proteínas, com demanda resiliente mesmo em cenários macroeconômicos mais desafiadores, o que reforça as perspectivas de expansão na região ao longo de 2026. A MBRF projeta redução relevante dos investimentos ao longo dos próximos períodos, após o pico registrado no quarto trimestre de 2025, quando os desembolsos totalizaram R$ 2,18 bilhões. A expectativa é de recuo significativo do Capex, com potencial de diminuição de pelo menos R$ 1 bilhão em relação aos níveis recentes.
A estratégia da companhia está centrada na disciplina financeira e na preservação da geração de caixa, com flexibilidade para ajustes adicionais nos investimentos em caso de deterioração do ambiente macroeconômico. Nesse contexto, há possibilidade de redução do Capex para uma base próxima de R$ 3,5 bilhões, mediante o adiamento de projetos. Apesar da elevação da alavancagem no período mais recente, influenciada principalmente pela variação cambial, a companhia mantém avaliação positiva quanto à sua capacidade de geração de caixa. A alavancagem encerrou o quarto trimestre em 3,7 vezes. A perspectiva de sustentação desse indicador está associada à combinação de margens operacionais, execução das estratégias e captura de sinergias. Para 2026, a estimativa é de geração de aproximadamente R$ 600 milhões em sinergias, contribuindo para o fortalecimento da estrutura financeira.
O cenário projetado indica redução do ritmo de investimentos, com foco na eficiência operacional e no equilíbrio financeiro, em um ambiente de maior seletividade na alocação de capital. Proteínas: MBRF projeta início da redução da dívida bruta no 1º trimestre. A MBRF projeta iniciar no 1º trimestre de 2026 um movimento de redução da dívida bruta, após ter reforçado a posição de caixa no fim de 2025 com o objetivo de enfrentar um período concentrado de vencimentos ao longo deste ano. A dívida bruta encerrou o quarto trimestre de 2025 em R$ 68,650 bilhões, com alta de 11,7% na comparação anual. O aumento foi resultado de uma estratégia deliberada de antecipação de captações, aproveitando condições de mercado consideradas favoráveis, em paralelo à elevação do nível de liquidez. O cronograma de amortizações em 2026 é relevante, com mais de US$ 500 milhões em vencimentos de bonds concentrados entre maio e setembro.
Nesse contexto, a companhia optou por carregar caixa adicional no curto prazo, que deverá ser gradualmente utilizado para reduzir o endividamento ao longo dos próximos trimestres. A estratégia inclui também a gestão ativa de passivos, com operações de recompra e cancelamento de títulos. Entre as iniciativas recentes, destaca-se a recompra de US$ 80 milhões em bonds, operação que contribuiu para a redução do custo médio da dívida ao substituir instrumentos mais onerosos por alternativas mais baratas. A companhia indica que seguirá monitorando oportunidades de mercado para otimizar sua estrutura de capital, com foco na redução do custo financeiro e no alongamento do perfil da dívida. O cenário projetado aponta para início do processo de desalavancagem ao longo de 2026, sustentado pela utilização de caixa, disciplina financeira e estratégias de gestão de passivos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.