18/Mar/2026
O mercado de boi gordo apresentou valorização em fevereiro, com alta de R$ 20,00 por arroba em São Paulo frente a janeiro, refletindo ajuste entre oferta interna e demanda externa. No primeiro bimestre, o volume total abatido foi 5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, com recuo de 9% no abate de fêmeas e de 3% no abate de machos. As exportações registraram crescimento relevante, com avanço de 24% em fevereiro na comparação anual e de 26% no acumulado do primeiro bimestre. Os embarques para a China seguem direcionados ao preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas isenta da tarifa de 55%, já em vigor.
Outros destinos ampliaram significativamente as compras no período, com destaque para Rússia, com alta de 135%, Egito, com 128%, Emirados Árabes, com 127%, Estados Unidos, com 60%, e Chile, com 24%. Apesar do avanço dos volumes, o spread das exportações recuou de 7% para -1% em fevereiro, influenciado pela elevação de 9,7% no custo da matéria-prima e pelo reajuste de 1,2% no preço da carne embarcada. No mercado interno, a carcaça casada apresentou valorização de 3,7% em fevereiro, enquanto o spread recuou de 8% para 5%, indicando compressão de margens.
O ciclo pecuário avança para uma fase de menor oferta de animais, contribuindo para a sustentação dos preços. O ambiente externo adiciona incertezas ao setor, com o conflito no Oriente Médio impactando a logística e os custos das exportações. A evolução desse cenário tende a influenciar o comportamento do mercado, com possibilidade de maior sustentação dos preços em caso de redução das tensões. O encarecimento da reposição surge como um dos principais desafios para a atividade, exigindo maior uso de estratégias de proteção de preços, especialmente em sistemas produtivos de ciclo mais longo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.