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03/Mar/2026

Carnes: impacto logístico do conflito no Oriente Médio

O impacto do conflito no Oriente Médio sobre o setor brasileiro de proteína animal dependerá da manutenção dos fluxos logísticos e do comportamento dos preços do petróleo, com o Estreito de Ormuz no centro das atenções, por onde transita mais de 20% do petróleo global. Caso eventuais bloqueios ou restrições afetem predominantemente a saída de petróleo, sem comprometer a entrada de mercadorias nos países do Golfo, o comércio internacional de proteínas tende a permanecer relativamente preservado. Nesse cenário, os embarques brasileiros continuariam ocorrendo, ainda que sob custos logísticos mais elevados.

No curto prazo, dois cenários principais são considerados. O primeiro envolve manutenção dos fluxos comerciais com aumento de custos, diante da alta do petróleo e dos fretes marítimos. Nesse contexto, a proteína brasileira seguiria atendendo os destinos tradicionais, porém com repasse parcial ou total dos custos ao consumidor final.

O segundo cenário contempla interrupção parcial dos embarques. Caso parte do frango destinado ao Oriente Médio não possa ser redirecionada a outros mercados, poderia haver aumento da oferta interna, com pressão baixista sobre os preços domésticos. O efeito pode se estender a proteínas substitutas. Ainda assim, trata-se de um risco distinto de crises sanitárias, nas quais exportações inteiras são suspensas, configurando choque mais amplo de oferta.

Os impactos tendem a variar entre as cadeias de proteína bovina e de frango. A carne bovina brasileira apresenta elevada dependência da China, que absorve cerca de 50% das exportações do segmento. Já o frango possui pauta mais diversificada. Os Emirados Árabes Unidos lideram como principal destino individual da carne de aves brasileira, com aproximadamente 10% dos embarques, sem concentração equivalente à observada na bovinocultura. Essa diversificação tende a diluir parte do risco comercial em caso de disrupções regionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.