03/Mar/2026
A XP Investimentos avalia que a carne de frango é a proteína animal brasileira mais exposta à escalada das tensões no Oriente Médio, com potencial de pressão sobre as exportações. Países diretamente afetados pelo conflito, como Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Israel, Jordânia e Omã, concentram 21% das exportações brasileiras de frango. Apesar da elevada exposição, a análise pondera que a região é estruturalmente dependente de importações de alimentos, o que tende a manter o fluxo comercial, ainda que sob custos logísticos mais elevados diante do aumento do risco.
No segmento de carne bovina, o peso do Oriente Médio e do Norte da África nas exportações brasileiras recuou de 19% em 2024 para 13% em 2025. Considerando apenas os países diretamente envolvidos nos bombardeios, a participação foi de 4% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025. No caso específico do Irã, a avaliação indica possibilidade de triangulação dos embarques por países vizinhos, mitigando eventuais entraves diretos ao comércio. Para a carne suína, o impacto tende a ser limitado, uma vez que o Oriente Médio, formado majoritariamente por países de população muçulmana ou judaica, não representa mercado relevante para o consumo de carne de porco, reduzindo a exposição das exportações brasileiras do produto à região.
No mercado doméstico, o cenário externo adiciona vetores de pressão. A expectativa de preços mais baixos para frango e suíno pode afetar o consumo de carne bovina no Brasil, ao passo que a compressão das margens dos frigoríficos bovinos tende a limitar novas altas do boi gordo. Como fator de sustentação, a análise destaca a redução da participação de fêmeas nos abates em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, movimento que pode restringir a oferta futura e oferecer suporte às cotações. No dia 27 de fevereiro, o boi gordo era negociado a R$ 350,70 por arroba, enquanto o frango estava cotado a R$ 7,10 por quilo e o suíno a R$ 6,80 por quilo, conforme dados da Eikon, do Cepea e da XP Investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.