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02/Mar/2026

Leite: preços ao produtor reagem no início de 2026

O preço do leite pago ao produtor reagiu em janeiro/2026 depois de ter registrado nove meses consecutivos de queda. O preço do leite ao produtor captado em janeiro/2026 fechou a R$ 2,0216 por litro na “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), leve alta de 0,9% frente a dezembro/2025, mas forte queda de 26,9% sobre a de janeiro/2025, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de janeiro/2026). O resultado, que confirma a expectativa do setor de preços firmes em janeiro, se deve a ajustes pontuais na produção em diferentes bacias leiteiras. A estabilidade com viés de alta é justificada pelo mercado ainda abastecido de lácteos, mas que sofre com a pressão negativa sobre a base produtiva. As quedas consecutivas no preço do leite no campo em 2025 estreitaram as margens do produtor.

Mesmo com a relativa estabilidade dos custos em 2025, em janeiro/2-26, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% na Média Brasil. A valorização do milho também segue limitando o poder de compra do produtor: em janeiro, foram necessários 33,56 litros de leite para adquirir 1 saca de 60 Kg de milho grão, 3,76% a menos que no mês anterior, porém, 15,2% acima da média dos últimos 12 meses (de 29,12 litros/saca de 60 Kg). Com isso, os investimentos na atividade tendem a se reduzir. A sazonalidade também reforça a diminuição da captação. De dezembro/2025 para janeiro/2026, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,6% na Média Brasil, puxado pelos resultados sobretudo na Região Sul e em São Paulo. Ao mesmo tempo em que existe certa pressão do lado da oferta e disputa por matéria-prima, os mecanismos de transmissão de alta seguem travados pelo lado industrial e comercial, já que o giro no varejo ainda não é suficiente para “descomprimir” o sistema.

A indústria seguiu com dificuldade no repasse aos canais de distribuição em janeiro, tendo em vista que o consumo segue sensível ao preço. Em janeiro, as médias de preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó recuaram 1,44%, 1,49% e 0,15% respectivamente, em termos reais, frente ao mês anterior. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 8% de dezembro/2025 para janeiro/2026, com aquisição de 178,53 milhões de litros em equivalente leite (EqL). O aumento de 16,75% nas exportações (que somaram 4,3 milhões de litros EqL) não foi suficiente para equilibrar o mercado. A partir de fevereiro, é possível que o viés de alta se consolide, mas, mesmo assim, esse movimento deve ocorrer de forma gradual e moderada, já que o avanço do preço está condicionado ao escoamento dos estoques. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.