27/Feb/2026
A indústria láctea do Uruguai encerrou 2025 com um marco histórico no comércio exterior. As exportações somaram US$ 965 milhões, alta de 13% em relação a 2024. O resultado combina aumento de 2% no volume embarcado e uma valorização expressiva de 11% no preço médio por litro de leite equivalente. Em termos físicos, o país exportou 1,637 bilhão de litros de leite equivalente, também o maior volume já registrado. O preço médio recebido foi de US$ 0,59 por litro, ante US$ 0,53 por litro no ano anterior. O desempenho reforça uma tendência de longo prazo. Na última década, a receita com exportações cresceu a uma taxa média anual de 5%, sustentada por avanço de 1% ao ano no volume e de 5% nos preços. O Uruguai vendeu lácteos para 82 destinos em 2025, mas o comércio permanece concentrado: 70% do faturamento veio de cinco mercados: Argélia, Brasil, Mauritânia, Chile e Rússia. A principal mudança foi a ascensão da Argélia ao primeiro lugar. O país passou a responder por 36% das exportações, ante 26% no ano anterior. As compras somaram US$ 343 milhões (+55%) e 658 milhões de litros equivalentes (+32%).
O Brasil ficou em segundo lugar, com US$ 256 milhões, registrando queda de 17% em valor e 22% em volume. A Mauritânia apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 97% no faturamento e 79% no volume. Rússia e Chile reduziram participação. O leite em pó integral manteve-se como principal produto exportado. Em 2025, gerou US$ 669 milhões, o equivalente a 66% do total embarcado, com 168.077 toneladas exportadas. O avanço foi consistente: +19% em receita, +6% em volume e +12% no preço médio, que alcançou US$ 3.978 por tonelada. A Argélia absorveu 49% desse produto, seguida pelo Brasil (25%) e Mauritânia (5%). Entre os demais itens, o desempenho foi mais moderado. Os queijos somaram US$ 91 milhões (9% do total), com retração de 13% em valor e 15% em volume, totalizando 18.304 toneladas exportadas. O Brasil foi o principal destino (27%), seguido por México (19%) e Chile (16%). Na última década, o segmento registra queda média anual de 7% em volume, parcialmente compensada por aumento de 4% ao ano nos preços.
A manteiga respondeu por US$ 75 milhões (8% do total), com crescimento de 6% no faturamento. A alta foi explicada exclusivamente pela valorização de preços (+17%), já que o volume embarcado caiu 10%. A Arábia Saudita passou a ser o principal destino (23%), superando a Rússia. O leite em pó desnatado gerou US$ 55 milhões (6% do total) e manteve receita estável. O preço subiu 10%, mas o volume recuou 9%. O Brasil concentrou 79% dessas compras. As exportações mostraram estabilidade no primeiro semestre e ganharam força na segunda metade do ano. Outubro registrou o maior volume embarcado (174 milhões de litros equivalentes), enquanto março teve o menor (108 milhões). O resultado de 2025 deixa dois pontos claros para o setor leiteiro uruguaio: recorde histórico em receita e volume, e maior concentração tanto no leite em pó integral quanto no mercado argelino. Para 2026, o desafio será manter preços internacionais favoráveis, ampliar destinos e fortalecer produtos de maior valor agregado em um ambiente global cada vez mais competitivo. Fonte: Ámbito. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.