20/Feb/2026
Segundo a StoneX, a implementação pela China de sistema de cotas para importação de carne bovina começa a produzir efeitos concretos sobre o Brasil. A indústria deve ter margens mais comprimidas e terá de redirecionar embarques ao longo de 2026. Maior fornecedor da proteína ao mercado chinês, o Brasil é também o país mais exposto ao novo modelo, principalmente por causa da escala. Não é apenas estar um pouco acima da cota. É o tamanho do excedente e a estrutura do modelo de exportação que torna os ajustes mais complexos. O problema é estrutural. O Brasil opera com grandes volumes e forte concentração em cortes de perfil mais comoditizado, altamente sensíveis a preço. Adicionar uma tarifa de 55% torna muitas vendas economicamente inviáveis.
Além disso, a dependência do mercado chinês amplia o risco. A China responde por mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina. Com o novo sistema, parte relevante do fluxo pode precisar ser redirecionada ou renegociada. Os exportadores terão de redirecionar volumes para mercados alternativos ou conceder descontos agressivos para manter competitividade, o que pressiona margens. A redistribuição desses volumes não é trivial. Embora destinos como Oriente Médio, Sudeste Asiático, Norte da África e Rússia possam absorver parte da oferta adicional, nenhum deles tem capacidade semelhante à da China. Nenhum desses mercados individualmente se aproxima da capacidade de absorção da China. O resultado tende a ser aumento da concorrência em mercados secundários e ajustes de preço. O efeito imediato provavelmente será compressão de margens para produtores e exportadores.
O cenário não aponta para ruptura do comércio global, mas para reorganização. Parece menos uma ruptura do comércio e mais uma dinâmica de redistribuição, com pressão de preços fora da China e disciplina maior dentro do sistema de cotas. Na prática, porém, 2026 deve exigir ajustes estratégicos relevantes do Brasil. Deve haver um impulso mais forte para diversificação e maior seletividade no mix de produtos, priorizando valor dentro da cota em vez de maximizar volume. O ano será marcado menos por expansão e mais por reorganização. 2026 não deve ser um ano de crescimento, mas um ano de reequilíbrio. Os exportadores que se adaptarem mais rápido estarão bem-posicionados para proteger margens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.