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20/Feb/2026

Carnes: Brasil quer ampliar comércio com a Índia

Representantes do agronegócio brasileiro chegaram nesta quinta-feira (19/02) na Índia com dois grandes objetivos: abrir mercado para o feijão guandu nacional e ampliar o comércio de frango ao país asiático. Entidades do setor produtivo e empresas querem aproveitar a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país para destravar as negociações. Ambos os temas estão na pauta de prioridades do governo brasileiro na missão, disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. A Índia é um grande consumidor de pulses e o Brasil levará a demanda de poder acessar este mercado com mais variedades de feijões. No frango, insistirá na abertura do mercado para poder exportar carne de frango ao mercado indiano, mas sabendo da dificuldade do tema para o país. Em reciprocidade, o Brasil avalia a autorização para entrada da romã indiana no País, segundo Fávaro. "Já cumprimos o rito brasileiro, devolvemos às autoridades competentes com as demandas e havendo cumprimento das exigências sanitárias brasileiras o Brasil abre esse mercado", observou o ministro.

No país, Fávaro terá reuniões bilaterais com autoridades e representantes do setor agropecuário. As agendas terão foco em aprofundar laços de cooperação e ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos mercados. O Brasil exportou 4,814 milhões de toneladas de produtos agropecuários para a Índia em 2025, com geração de receita de US$ 3,210 bilhões. Atualmente, a pauta é concentrada na comercialização de açúcar, óleo de soja e algodão. As importações brasileiras de produtos agropecuários indianos alcançaram 100,816 mil toneladas no ano passado, com desembolso de US$ 304,487 milhões, em especial de fios, linhas e produtos têxteis de algodão, cebolas secas, óleos vegetais, óleos essenciais e especiarias. No caso do frango, o Brasil já possui acordo quanto ao certificado sanitário internacional para comercialização à Índia, firmado ainda em 2008, ou seja, o mercado está aberto à proteína brasileira. Entretanto, a alíquota aplicada sobre o frango brasileiro, de 30% sobre frango inteiro e 100% para cortes de frango, limita as vendas.

O Brasil negocia agora a redução tarifária por meio da ampliação do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia, que cobre hoje em torno de 450 linhas tarifárias. Os países tendem a acordar com um cronograma de ampliação para diversificar produtos com tarifa reduzida. O pedido do Brasil será a adoção de uma cota com limite máximo de carne de frango a ser exportada com tarifa reduzida. Qualquer situação é melhor que a atual. O tema é considerado sensível pelo fato de a Índia se considerar autossuficiente na produção de frango e temer prejuízo aos produtores locais com a ampliação do acesso à proteína importada. O consumo per capita de frango é muito pequeno na Índia, de apenas 3,5 Kg por habitante ao ano, muito abaixo da média mundial de 12 Kg por ano, e há potencial de crescimento. O governo brasileiro tentará ainda redução da alíquota aplicada sobre suco de laranja brasileiro exportado, atualmente de 35%. No último ano, o Brasil exportou apenas 2,4 toneladas de carne de frango à Índia, com receita de US$ 7.540,00.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que integra a missão oficial, afirmou que a agenda do setor no País está voltada à ampliação do acesso para carne de frango, carne suína, ovos e demais proteínas avícolas brasileiras. No frango, a proposta converge com a do governo de criação de cota específica com tarifa reduzida ou zerada para destravar o fluxo comercial. O acordo sanitário já existe, mas as tarifas são impeditivas de acordo com os preços praticados na Índia. A redução das tarifas incidentes sobre a carne suína brasileira, de 26%, também está no rol de pleitos da indústria de proteínas. O setor brasileiro propõe cotas especiais ou que sejam reduzidos os níveis de impostos cobrados porque a Índia enfrenta, especialmente na região produtora no norte do país, uma crise de peste suína africana (PSA). Quanto ao feijão, o Brasil já pode exportar algumas variedades ao mercado indiano, sobretudo o mungu-preto, e quer agora aval para comercializar o feijão guandu. O processo técnico está bastante avançado, com chance de formalização durante a missão brasileira ao país. Já há acerto sanitário, faltando apenas o anúncio político. É um grão muito consumido na Índia, com grande potencial de comércio.

Dados do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) apontam que a China importa cerca de 1,257 milhão de toneladas de feijão guandu por ano, mercado de cerca de US$ 1,3 bilhão. É a principal pulse importada pela Índia, maior consumidor mundial. O Brasil exportou no último ano 318,62 mil toneladas de feijões à Índia, alcançando receita de US$ 256,27 milhões. O tipo guandu é, entretanto, ainda pouco cultivado no Brasil, limitado à cobertura como planta forrageira, mas o governo avalia que a possibilidade de comércio para a Índia pode incentivar a expansão das lavouras. O Ibrafe informou haver interesse dos exportadores em exportar o tipo guandu, ao mesmo tempo que há procura dos importadores indianos pelo fornecimento do produto pelo País. A avaliação é de que a entrada do Brasil nesse mercado, sendo efetivada a abertura, será gradual. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que 41 instituições e empresas ligadas ao setor agropecuário participam da comitiva presidencial. A Apex vai inaugurar um escritório em Nova Délhi no sábado (21/02) com foco na promoção comercial e atração de investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.