18/Feb/2026
A combinação de exportações aquecidas e oferta mais restrita deve sustentar os preços do boi gordo nos próximos meses, segundo relatório do Itaú BBA. A avaliação é de que a demanda externa robusta, aliada a um cenário de menor disponibilidade de animais terminados, cria base consistente para manutenção das cotações em patamares elevados.
O fluxo de embarques segue intenso, acima do observado no ano passado, com possibilidade de reforço adicional no curto prazo, especialmente via exportações para a China dentro da cota estabelecida. Caso não haja aumento expressivo da oferta de gado terminado, a tendência é de preços firmes, com possibilidade de continuidade do movimento de alta mesmo durante o período de safra.
O banco chama atenção, contudo, para a incerteza envolvendo a operacionalização da cota chinesa após medidas de salvaguarda. Ainda não está claro como as plantas frigoríficas irão administrar os embarques, especialmente diante de cargas em trânsito que ingressaram no país asiático a partir de 1º de janeiro, estimadas em cerca de 350 mil toneladas. Uma coordenação inadequada pode gerar pressão altista adicional até o preenchimento da cota, seguida por eventual movimento de correção nas cotações.
Em 2025, o Brasil atingiu 1,1 milhão de toneladas exportadas para a China já em agosto. Em um cenário de aceleração dos embarques, esse volume poderia ser alcançado mais cedo em 2026, elevando a volatilidade ao longo do ano. Por outro lado, uma moderação da oferta interna poderia mitigar impactos negativos sobre a demanda externa na segunda metade do ano.
Janeiro marcou inflexão relevante nas cotações. Após cerca de dois meses e meio de mercado estável a mais fraco, o boi gordo reagiu a partir da segunda quinzena do mês. Em São Paulo, a arroba foi negociada a R$ 337 no fechamento de 10 de fevereiro, alta de 6% frente a 15 de janeiro, equivalente a avanço de R$ 20 por arroba.
A recuperação foi atribuída à manutenção do ritmo de exportações e à firmeza dos preços da carcaça no mercado doméstico, mesmo em período sazonalmente mais fraco para consumo de proteínas. No lado da oferta, dados preliminares indicaram queda de 5% nos abates em janeiro na comparação anual e menor participação de fêmeas, reforçando o viés altista.
As exportações consolidaram o cenário positivo. Em janeiro, os embarques de carne bovina in natura somaram 231,8 mil toneladas, crescimento de 28,6% ante igual mês de 2025. Os envios para a China avançaram 31%, enquanto as vendas para os Estados Unidos cresceram 63%. O preço médio foi de US$ 5,6 mil por tonelada, com leve recuo de 0,6% frente a dezembro.
No mercado interno, a margem da indústria chegou a 10% quando o boi esteve mais pressionado e a carcaça em alta, ante 4% em novembro de 2025. Com a recente valorização do animal, a margem recuou para cerca de 6%, refletindo o novo equilíbrio no mercado físico.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.