12/Feb/2026
A China sinalizou positivamente para flexibilizar a utilização das cotas de importação de carne bovina pelo Brasil, segundo declaração do ministro da Agricultura. A indicação abre espaço para que o País utilize eventuais sobras de cotas de outros exportadores, reduzindo o risco de incidência da sobretaxa de 55% aplicada sobre volumes embarcados acima do limite estabelecido.
Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China, volume significativamente superior à cota de 1,106 milhão de toneladas fixada para 2026. Dentro da cota, a tarifa é de 12%. Fora dela, incide a sobretaxa de 55%, o que compromete a competitividade do produto brasileiro.
Duas frentes de negociação
O governo brasileiro apresentou duas solicitações principais às autoridades chinesas.
A primeira envolve a exclusão do estoque em trânsito. A proposta é que toda a carne embarcada até 31 de dezembro de 2025 seja contabilizada como exportação do ano passado, ainda que tenha chegado aos portos chineses apenas em janeiro de 2026. A medida evitaria o consumo antecipado da cota de 2026 por volumes já negociados.
A segunda frente trata da redistribuição de cotas não utilizadas por outros países. Como alguns fornecedores historicamente não atingem o teto estabelecido, o Brasil busca absorver esse excedente, mantendo a tarifa de 12% e evitando a sobretaxa de 55%. A estratégia parte do entendimento de que a China depende de fornecimento regular e competitivo para assegurar o abastecimento interno.
Impactos para o mercado brasileiro
A eventual flexibilização pode reduzir a necessidade de redirecionamento abrupto de volumes para outros mercados, o que pressionaria preços e margens no curto prazo. Também diminui o risco de formação de excedentes internos em um momento de transição de ciclo pecuário no Brasil.
A formalização dos termos é esperada para ocorrer em reunião bilateral de alto nível ainda em 2026. Até lá, o mercado segue atento à definição das regras operacionais, que serão determinantes para o fluxo de exportações brasileiras no primeiro semestre e para o equilíbrio entre oferta interna e demanda externa.
Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.