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03/Feb/2026

Suíno: PSA causa colapso do sistema imunológico

Um novo estudo científico trouxe evidências importantes para explicar por que a peste suína africana (PSA) continua sendo uma das doenças mais letais da suinocultura mundial e porque, até o momento, o desenvolvimento de uma vacina eficaz segue como um desafio. A pesquisa, publicada na revista Discovery Immunology, foi conduzida por cientistas do Pirbright Institute, no Reino Unido, referência global em sanidade animal. Utilizando suínos Babraham altamente consanguíneos, o que reduz a variabilidade genética e aumenta a precisão dos resultados, os pesquisadores analisaram a disseminação inicial do vírus da peste suína africana (ASFV) e a dinâmica das células do sistema imunológico logo após a infecção.

Os testes foram realizados por vias que simulam de forma mais fiel a exposição natural ao patógeno. Os resultados mostram que o ASFV compromete de maneira extremamente rápida as respostas imunológicas do hospedeiro, justamente aquelas responsáveis por detectar e controlar infecções. Essa destruição precoce ajuda a explicar a elevada taxa de mortalidade associada às cepas mais virulentas do vírus. Suínos infectados por variantes altamente agressivas do ASFV raramente sobrevivem devido à perda inicial de populações celulares essenciais à defesa imunológica. O estudo indica que a velocidade e a abrangência do colapso imunológico provocado pelo vírus são características centrais da forma aguda da doença. O ASFV foi detectado em tecidos linfoides associados à cavidade oral e ao trato respiratório entre um e três dias após a infecção, antes de se espalhar de forma sistêmica.

Quando os primeiros sinais clínicos, como febre e letargia, se manifestam, geralmente dentro de uma semana, grande parte das células imunológicas já foi severamente comprometida. Entre as principais alterações observadas está a perda generalizada e a disfunção de células fundamentais para uma resposta imune eficaz, como linfócitos T, células dendríticas, células natural killer (NK) e macrófagos. Muitas dessas células apresentaram sinais de apoptose, ou morte celular programada, o que sugere que o vírus não apenas infecta diretamente componentes do sistema imunológico, mas também induz mecanismos que levam à sua destruição. Um dos achados mais relevantes do trabalho foi o colapso da chamada “interface inata-adaptativa”, responsável por integrar as respostas imunológicas iniciais, inespecíficas, com aquelas mais duradouras e específicas.

Células que fazem essa conexão, como as células dendríticas e os linfócitos T gama-delta (γδ), foram rapidamente eliminadas ou perderam sua funcionalidade, comprometendo de forma profunda a capacidade do organismo de reagir ao vírus. Compreender melhor essa ruptura precoce do eixo imune pode ser decisivo para o futuro do desenvolvimento de vacinas contra a PSA. Os pesquisadores destacam a necessidade de novos estudos com isolados do ASFV de diferentes níveis de virulência, a fim de confirmar se esse desequilíbrio imunológico é uma marca constante das infecções agudas. As conclusões reforçam a complexidade da PSA e a importância de investimentos contínuos em pesquisa científica para o avanço das estratégias de prevenção e controle, especialmente diante dos impactos econômicos e sanitários da doença sobre a suinocultura global. Fonte: Pig World. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.