03/Feb/2026
Os dois municípios que mais produzem leite no Brasil estão nos Campos Gerais, no Paraná. Castro e Carambeí somaram, em 2024, quase 800 milhões de litros, o equivalente a 2,2% da produção nacional, estimada em 35 bilhões de litros, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2024), do IBGE. Esse desempenho está diretamente ligado à força das cooperativas da região. Castrolanda, Frísia e Capal, sediadas nos Campos Gerais, formam o chamado Pool Leite, junto com Witmarsum e Coamig. Em 2024, o grupo alcançou um marco histórico: 1 bilhão de litros de leite produzidos. Esse volume é resultado do trabalho de mais de 560 produtores, distribuídos por municípios dos Campos Gerais e algumas cidades do interior paulista. Entre eles está a Fazenda Frísia, em Carambeí, uma das propriedades que se destacam pela escala e pela eficiência produtiva. A fazenda é comandada por Bauke Dijkstra, associado à cooperativa Frísia.
Em 2025, a propriedade ultrapassou a marca de 13 milhões de litros de leite, produzidos por um plantel médio de pouco mais de 900 vacas da raça holandesa. Na prática, isso representa uma média diária de 36 mil litros, volume que coloca a fazenda entre as 10 maiores do Paraná e entre as 35 maiores do Brasil. A produtividade média é de 40 litros por vaca por dia, cerca de seis vezes acima da média nacional e mundial, estimada em 6,5 litros. Algumas vacas, no entanto, superam com folga esse número e chegam a produzir até 80 litros diários. Esse resultado não vem de um único fator. São basicamente três fatores: conforto animal, qualidade da forrageira e genética. São os três pilares. Um sem o outro, não funciona. A ordenha acontece três vezes ao dia, a cada oito horas, em um sistema totalmente mecanizado e sem contato humano. A sala de ordenha recebe 40 vacas por vez, e cada vaca tem sua produção monitorada individualmente por equipamentos que analisam volume e qualidade do leite.
Esse serviço tem que ser feito com qualidade. Todo o leite segue diariamente para a Unidade de Beneficiamento de Leite (UBL) da Unium, em Ponta Grossa, a menos de 10 quilômetros da fazenda. Ainda assim, a propriedade conta com capacidade própria de armazenamento de até 60 mil litros. A força dos Campos Gerais na produção de leite é resultado de uma história que começou há mais de 100 anos, com a colonização holandesa, e foi sendo aprimorada ao longo do tempo. Clima, altitude e tradição ajudaram a consolidar a região como referência nacional. Na região, as famílias já produziam leite há muito tempo, é uma região é muito apta. A altitude, de mil metros, permite um clima mais ameno; e produção de forrageira de inverno, como o azevém, é possível, e em outras regiões não. Na Fazenda Frísia, o cuidado com as vacas é tratado como parte central do sistema produtivo, e não apenas como um conceito. O bem-estar animal é uma questão econômica, sem dúvida, porque uma vaca que não está feliz, que não se sente bem, não vai responder. E é uma questão de amor pelos animais também.
Nos galpões, a ventilação é constante, com grandes ventiladores para reduzir o calor. Em dias mais quentes, as vacas passam por uma sala de resfriamento, com água pulverizada para baixar a temperatura corporal antes da ordenha. A tecnologia complementa o manejo: colares digitais monitoram sinais de estresse ou mal-estar em tempo real. O bem-estar está no conforto, no sistema de resfriamento, para evitar que as vacas passem por estresse calórico. Colares digitais no pescoço das vacas registram qualquer mal-estar ou estresse. Além da pecuária leiteira, a Fazenda Frísia desenvolve outras atividades em uma área total de 430 hectares. A propriedade mantém a produção de leitões, com cerca de 3 mil suínos destinados à Cooperativa Aurora, além do cultivo de grãos e forrageiras. Ao todo, mais de 70 colaboradores trabalham na fazenda. Fora do Paraná, a Fazenda Frísia também atua em Tocantins, onde a cooperativa Frísia iniciou sua expansão há cerca de uma década.
Nessa unidade, o foco está na agricultura e na pecuária de corte. Na própria fazenda, a produção de milho para silagem é estratégica. No início do ano, são produzidas cerca de 20 mil toneladas, armazenadas sem oxigênio por aproximadamente 90 dias. Essa silagem é uma das principais fontes de alimento ao longo do ano. Cada vaca consome cerca de 40 quilos de alimento por dia, com dieta baseada em silagem de milho e azevém, além de caroço de algodão, farelo de soja, milho moído e uma ração personalizada formulada pelas cooperativas. Mais do que volume, a região entrega leite de alta qualidade. O Pool Leite se antecipou às exigências legais brasileiras ainda no início do programa. O leite tem células somáticas baixas, com contagem bacteriana baixa, por isso todo e qualquer laticínio gosta de comprar o leite. Os índices de gordura e proteína da propriedade também estão acima da média. Com a expansão da UBL em Ponta Grossa e o início das operações da Queijaria Unium, os planos agora são de crescimento e entrega de produtos com a máxima qualidade. Fonte: Jornal da Manhã. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.