ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

23/Jan/2026

Frango: JBS inaugurou fábrica na Arábia Saudita

A JBS inaugurou nesta quinta-feira (22/01) uma fábrica de alimentos processados em Jeddah, na Arábia Saudita, e anunciou uma expansão que dobrará a capacidade da unidade até o fim de 2026. O movimento aprofunda a estratégia da companhia de ampliar a presença produtiva local em um mercado que historicamente foi um dos principais destinos do frango brasileiro, mas que avança de forma consistente em políticas de autossuficiência. O investimento total da JBS no país soma US$ 85 milhões e inclui, além da planta de Jeddah, uma unidade em Dammam e infraestrutura de distribuição. Com a nova operação, a companhia estrutura um ecossistema produtivo no país sob a marca Seara, com foco no abastecimento do mercado saudita e em exportações regionais de produtos Halal A decisão de expandir a fábrica decorreu da rápida absorção da produção pelo mercado local.

Antes da entrada em operação da unidade de Jeddah, a JBS operava com uma planta de processamento em Dammam, com cerca de 250 funcionários e capacidade anual de 10 mil toneladas. A fábrica, que começou a operar em 2025, elevou a escala local da companhia e gera 500 empregos diretos, levando o quadro total da JBS na Arábia Saudita para cerca de 950 colaboradores. A presença produtiva no país representa uma inflexão na estratégia da companhia para o Oriente Médio. A JBS atua há mais de 30 anos na Arábia Saudita com exportações de aves a partir do Brasil, mas iniciou a construção da marca Seara no mercado local há cerca de quatro anos, com produtos processados, distribuição própria e investimentos em comunicação. É exatamente a fórmula que a empresa tem no Brasil de produto de alta qualidade, liderança em inovação e um engajamento de comunicação muito forte com o consumidor local.

Atualmente, a planta de Jeddah produz empanados e cortes de frango e já exporta para sete países da região, como Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. O foco segue sendo o mercado saudita, mas a operação cria uma base para ampliar exportações a outros destinos com demanda por produtos Halal. O mercado é complementar. O anúncio ocorre em um contexto de mudança estrutural no mercado de aves do Oriente Médio. Nos últimos anos, a Arábia Saudita acelerou investimentos para elevar sua autossuficiência em frango, reduzindo gradualmente a dependência de importações. Entre 2013 e 2024, a participação da produção doméstica no consumo local passou de 38% para 68%, com expectativa de superar 80% nos próximos anos, segundo o Bradesco BBI. Esse movimento já vinha sendo citado pela própria JBS como fator de pressão sobre as exportações brasileiras.

No terceiro trimestre de 2025, a JBS informou que o avanço da produção local vinha afetando o desempenho regional. Nesse contexto, a estratégia da JBS na Arábia Saudita busca menos substituir o Brasil como base produtiva e mais preservar relevância comercial em um mercado considerado estratégico. Na visão 2030 da segurança alimentar, parte da produção vai ser feita na Arábia Saudita e a JBS quer participar dessa produção, em referência ao programa Visão Saudita 2030, que orienta a política industrial e agrícola do país. Além da expansão industrial, a companhia anunciou uma parceria com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (ENTAJ) para a produção local de frango in natura com a marca Seara. A iniciativa permitirá ampliar o portfólio oferecido ao varejo e ao food service saudita.

Sobre a possibilidade de aquisições na região, no momento, o foco segue no crescimento orgânico. O posicionamento ocorre após especulações de mercado no ano anterior; em março de 2025, a Bloomberg noticiou que a JBS avaliou a compra da Al Watania, maior produtora de frango e ovos da Arábia Saudita, em uma transação que poderia chegar a US$ 530 milhões, mas o negócio não avançou. O foco é o longo prazo na Arábia Saudita. A empresa já está avaliando outros investimentos para continuar apoiando o crescimento da marca e da operação. Do ponto de vista estratégico, a expansão está alinhada à lógica mais ampla da companhia de diversificação geográfica e construção de marcas com maior valor agregado. A política da JBS é em múltiplas proteínas e múltiplas geografias. É importante participar de mercados que estão crescendo, poder criar marca, criar valor agregado e participar desse crescimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.