21/Jan/2026
Passados um ano e seis meses, a China voltará a comprar frango proveniente do Rio Grande do Sul. A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) retirou a suspensão da importação de frango do Estado. Em comunicado publicado na sua página oficial, o governo chinês afirmou que "com base nos resultados da análise de risco" as restrições da Doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, no Brasil, serão suspensas a partir do anúncio", datado de 16 de janeiro. O anúncio foi emitido em conjunto pela GACC e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais. A reabertura do mercado chinês ao frango proveniente do Rio Grande do Sul foi comunicada pelo governo chinês ao governo brasileiro. A informação foi confirmada pelo Ministério da Agricultura. A suspensão sobre as indústrias do Rio Grande do Sul estava relacionada à ocorrência de doença de Newcastle, após o caso registrado em julho de 2024 em um aviário em Anta Gorda, no Estado. Com a medida, o frango produzido no Estado desde a última sexta-feira (16/01) poderá ser exportado ao mercado chinês.
Oito frigoríficos voltam a acessar o mercado chinês com exportações de carne de frango e derivados. São eles: Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Erechim (SIF 68); BRF S.A., de Serafina Corrêa (SIF 103); Cooperativa Languiru Ltda, de Westfalia (SIF 730); JBS Aves Ltda, de Passo Fundo (SIF 922); Companhia Minuano de Alimentos, de Lajeado (SIF 1661); BRF S.A., de Marau (SIF 2014); JBS Aves Ltda, de Montenegro (SIF 2032); e Agrosul Agroavícola Indústrial S/A, de São Sebastião do Caí (SIF 4017). Estas unidades ainda constam como desabilitadas no sistema de Registro de Empresas Importadoras de Alimentos da China, gerido pela GACC, Ciferquery SingleWindow. A China é o principal destino do frango do Rio Grande do Sul. Indústrias que atuam no Rio Grande do Sul esperavam o desembargo juntamente com a liberação para os demais Estados na retirada de suspensão ao frango brasileiro relacionada à gripe aviária.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a informação divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, com a comunicação oficial das autoridades chinesas sobre a reabertura do mercado da China para as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul, após a superação do foco de doença de Newcastle registrado no Estado em julho de 2024. A retomada do fluxo específico do Rio Grande do Sul reforça a confiança das autoridades chinesas no rigor técnico, na transparência e na capacidade de resposta do Brasil diante de eventos sanitários. A China é um dos principais destinos da carne de frango do Brasil, com papel estratégico para o equilíbrio do comércio internacional do setor. A reabertura é resultado de um trabalho “incansável” de articulação técnica e diplomática, conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, sob a liderança do ministro Carlos Fávaro, com atuação direta do secretário de Comércio e Relações Internacionais da Pasta, Luís Rua, e do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, além de suas respectivas equipes técnicas, adidos agrícolas e a Embaixada do Brasil em Pequim.
A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do modelo de resposta, afirmou a associação. Segundo a entidade, o processo envolveu diálogo permanente com as autoridades chinesas, envio de informações detalhadas, comprovação das ações de controle e erradicação, e alinhamento aos protocolos internacionais de saúde animal. Com a reabertura, é concluído mais um passo relevante no processo de normalização plena dos fluxos comerciais, reforçando a posição do Brasil como fornecedor confiável e previsível de proteína animal no mercado global. A recente decisão do governo chinês de suspender a proibição à importação de frango do Brasil renovou o otimismo do setor e abriu caminho para a possibilidade de um recorde histórico nos embarques em 2025. Segundo levantamento da GTF, um dos seis maiores produtores do País, a China mantém-se como o principal destino da proteína nacional, liderando o ranking mundial de consumo com 562.207 toneladas importadas e uma participação de 10,9% no total das vendas externas brasileiras.
O mercado asiático como um todo absorve cerca de 50% das exportações brasileiras de frango. Além da China, destacam-se os Emirados Árabes Unidos, com 9% de participação (455.121 toneladas), e o Japão, com 8,6% (443.201 toneladas), seguidos por Arábia Saudita e África do Sul. A reabertura é estratégica: em 2024, a empresa comercializou 35 mil toneladas para a Ásia, sendo que a China absorveu 61% desse volume regional e cerca de 28% das exportações totais da companhia. A retomada é um marco importante que reforça a confiança dos compradores internacionais na qualidade e segurança alimentar dos produtos brasileiros. A empresa projeta para 2026 um crescimento de 10% em suas exportações, impulsionado pela demanda asiática e pelo fortalecimento da presença global. Cortes específicos como pés de frango e cartilagens são considerados iguarias de alto valor na China e no Japão, diferentemente de outros mercados onde o foco recai sobre peito ou coxas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.