20/Jan/2026
A resistência de pecuaristas em negociar boiadas a valores abaixo da referência tem segurado as cotações do boi gordo na maioria das regiões pecuárias, mas a pressão da indústria, que em geral tem programações de abate atendidas para o curto prazo, já ocasionou recuos de preço na semana passada e pode levar a novas desvalorizações ao longo desta semana. As férias escolares e o menor poder de compra da população na segunda quinzena do mês tendem a reduzir o escoamento da carne bovina no mercado doméstico. Na última semana, frigoríficos exportadores citavam as salvaguardas adotadas pela China como fator de incerteza para os embarques do produto ao exterior e podem seguir administrando as compras de lotes, o que tende a exercer pressão sobre os preços.
Em São Paulo, o boi gordo está cotado a R$ 318,00 por arroba a prazo e o "boi China", a R$ 322,00 por arroba a prazo. Há recuo de preços em Goiás, Mato Grosso do Sul; e alta em Santa Catarina e no Espírito Santo. Destaque para a assinatura no sábado (17/01) do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. As proteínas exportadas pelo Mercosul à União Europeia terão cotas com alíquota reduzida. Para a carne bovina, poderão ser exportadas 99 mil toneladas peso carcaça, sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa de 7,5% e volume crescente em seis estágios. Para o volume já destinado à cota Hilton, de 10 mil toneladas, a tarifa passará de 20% a zero na entrada em vigor do acordo. Atualmente, a tarifa máxima aplicada à carne bovina exportada pelo Brasil é de 178,4%.