20/Jan/2026
Segundo a análise trimestral do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) produzida pela Ponta Agro, o confinamento bovino encerrou 2025 com resultados históricos de rentabilidade, impulsionado por custos de alimentação mais baixos e pela arroba valorizada. Dezembro marcou o ápice desse movimento, com lucro médio atingindo R$ 1.127,00 por cabeça, consolidando o ano como o mais lucrativo para a pecuária intensiva. O quarto trimestre foi considerado o melhor de 2025 para o setor. Na avaliação do ICAP, o período combinou dieta estável ou em queda com preços firmes do boi gordo. O quarto trimestre de 2025 consolidou os melhores resultados do ano para a pecuária intensiva. As margens se ampliaram, com ganhos por cabeça superiores a R$ 1.100,00 na Região Sudeste e próximos de R$ 1.040,00 na Região Centro-Oeste.
O desempenho foi sustentado por uma série de fatores estruturais: a supersafra de milho e soja, oferta regular de coprodutos como DDG, polpa cítrica, caroço e bagaço, além de demanda interna aquecida com as festas de fim de ano e exportações robustas, especialmente após embarques recordes em agosto e volumes firmes para a China. Na Região Centro-Oeste, o custo da dieta de terminação apresentou leve queda no trimestre, recuando 0,73% entre outubro e dezembro, para R$ 1.092,25 por tonelada de matéria seca. Houve pressão de alta em coprodutos proteicos, como casca de soja e polpa, mas a redução no preço do milho grão úmido e dos volumosos compensou o movimento. O ICAP médio na região foi de R$ 12,70 por Kg de matéria seca no trimestre. Na Região Sudeste, a dieta se manteve praticamente estável (-0,04% no trimestre), encerrando dezembro em R$ 1.143,86 por tonelada de matéria seca.
O grande destaque foi a forte queda dos volumosos no fim do ano, com recuo de 13,06% em dezembro ante a média trimestral anterior, especialmente em silagens e bagaço de cana-de-açúcar, fator-chave para a redução do ICAP regional, que fechou o período em R$ 12,06 por Kg de matéria seca. Do lado dos custos, o ICAP recuou nas duas regiões em relação ao trimestre julho-setembro: -7,9% na Região Centro-Oeste e -3,21% na Região Sudeste. Na "porteira para fora", o mercado de boi gordo sustentou as margens. Na Região Centro-Oeste, o boi gordo teve média de R$ 306,00 por arroba no trimestre, com consumo doméstico reagindo no fim do ano e exportações firmes para a China. Mesmo após o impacto cambial do "tarifaço" dos Estados Unidos, o Brasil manteve competitividade no mercado global. Na Região Sudeste, o boi gordo teve preço médio foi de R$ 318,00 por arroba, beneficiado por demanda interna aquecida e por bonificações ligadas a protocolos como "boi China" e selos de qualidade.
Embora menos dependente das exportações que o Centro-Oeste, a região surfou na valorização geral da carcaça no País. Na comparação com o trimestre anterior, o avanço foi expressivo: o lucro por cabeça na Região Centro-Oeste saltou de R$ 730,00 para R$ 926,87 (+26,96%), enquanto na Região Sudeste passou de R$ 793,33 para R$ 955,69 (+20,46%). Para o início de 2026, o ICAP aponta cenário ainda favorável, mas com pontos de atenção. O custo do boi magro tende a seguir elevado, pressionado por oferta limitada e abate de fêmeas. Por outro lado, a demanda internacional deve permanecer firme no primeiro trimestre, com embarques robustos, enquanto o mercado doméstico tende a sustentar a boi gordo valorizado. Protocolos especiais, como o "boi China", "devem ter papel relevante na formação de margem, e confinadores com maior eficiência zootécnica tendem a manter vantagem competitiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.