20/Jan/2026
Segundo o Itaú BBA, a oferta de gado terminado no Brasil deve permanecer elevada nos próximos meses, sustentada pela sazonalidade favorável à entrega de bois de pasto e pelo período de descarte de fêmeas, movimento que tende a manter o volume de bovinos disponíveis mesmo diante das incertezas geradas pelas salvaguardas chinesas. A projeção é de estabilidade de preços no curto prazo e há oportunidades para o País no horizonte mais longo, caso a escassez global de carne bovina prevista para 2026 se confirme. O risco de perda de tração nas vendas externas para a China não deve se materializar de forma imediata, o que reduz a pressão sobre as cotações domésticas no primeiro trimestre. Considerando que o risco de perda de tração das vendas para a China não deve se materializar de imediato, é razoável projetar que os preços do gado não sofram pressão significativa por enquanto. Contudo, a dinâmica das salvaguardas chinesas seguirá como principal fator de risco ao longo do ano.
A China deverá avaliar gradualmente os impactos da medida, abrindo espaço para uma possível corrida inicial de exportadores brasileiros para preenchimento da cota, seguida de enfraquecimento mais adiante, quando a tarifa adicional de 67% entrar plenamente em vigor. Soma-se a isso a possível redução do fluxo para o México, que surge como um fator complicador adicional para os embarques brasileiros. No horizonte mais longo, o cenário global aponta para escassez de carne bovina em 2026, o que pode abrir oportunidades para o Brasil ampliar sua participação internacional. O mundo deverá enfrentar escassez de carne bovina em 2026, criando oportunidades para o Brasil ocupar espaços deixados por países menos competitivos. O País, como produtor mais competitivo, está bem-posicionado para capturar demanda de mercados que eventualmente consigam ampliar suas vendas dentro da cota chinesa.
Esse ambiente de incerteza já se reflete na curva futura do boi gordo. Alguns vencimentos recuaram até R$ 10,00 por arroba em relação a 30 dias atrás, refletindo as dúvidas sobre o fluxo de exportações para 2026. Para o primeiro semestre, no entanto, a curva indica preços praticamente estáveis, com o mercado físico ainda firme, o que ajuda a mitigar parte das incertezas. Para 2026, a curva ainda sugere leve alta frente a 2025, sustentada pela firmeza observada até o momento. Apesar da oferta elevada nos próximos meses, a sazonalidade típica do período e o volume de descarte de fêmeas não devem, por si só, gerar pressão baixista significativa sobre os preços. A atenção do mercado permanece voltada para os desdobramentos das salvaguardas chinesas e para a evolução da demanda global, fatores que devem balizar o comportamento das cotações ao longo do primeiro semestre de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.