20/Jan/2026
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) intensificou, desde o início de janeiro, a interlocução com o governo federal para definir mecanismos de regulação da cota chinesa de importação de carne bovina e evitar uma corrida de embarques no primeiro semestre de 2026. Já foram realizadas cinco reuniões com ministérios e secretarias envolvidas no tema. Se isso ficar sem regulação do governo, pode haver uma corrida. A aposta é em regulação governamental e parceria. A China comunicou em 31 de dezembro que o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa adicional em 2026.
O volume representa redução de cerca de 35% em relação às 1,7 milhão de toneladas exportadas em 2025. Os embarques que excederem o limite estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%. São quase 600 mil toneladas a menos. Haverá impacto. Entre as alternativas em discussão com o governo brasileiro estão a divisão da cota por empresas, nos moldes do modelo adotado para a cota Hilton destinada à União Europeia, a criação de uma linha de crédito emergencial operada pelo BNDES e a exigência de licenças de exportação emitidas pelo governo. Está sendo estudado um conjunto de medidas que possa reduzir os impactos.
Um dos pontos considerados mais sensíveis é a situação da carne que já estava em trânsito quando a salvaguarda chinesa foi anunciada. Cerca de 250 mil toneladas de carne bovina brasileira estavam a caminho da China naquele momento. Ainda não se sabe se isso entra na cota ou não. O governo está tratando dessa demanda junto às autoridades chinesas. A Abiec também pleiteia que cotas eventualmente não utilizadas por outros países exportadores sejam redistribuídas ao Brasil. Na sexta-feira (16/01), representantes da entidade se reuniram com o Ministério do Comércio da China (Mofcom) para tratar do tema. A China foi clara: o que importa para eles é o volume anual de 1,106 milhão de toneladas. Como o Brasil vai administrar isso internamente é uma decisão brasileira.
A Abiec tem mantido um ritmo intenso de reuniões com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para tratar de linhas de crédito e da negociação com a China. Com o Ministério da Agricultura, o foco são novos mercados e habilitações de plantas. Há também incerteza quanto à forma de distribuição da cota ao longo do ano. A leitura inicial do documento chinês indicava uma divisão trimestral, mas consultas posteriores sugerem que a cota é anual. Ainda não está totalmente claro. Isso exige mais reuniões entre os governos. Pela conta aritmética, a cota anual corresponderia a cerca de 92 mil toneladas por mês. A previsibilidade é central. Em qualquer negócio, estabilidade é melhor do que corrida.
A Austrália é exemplo de país que adota divisão da cota por empresas. No mercado, a imposição da salvaguarda já teve reflexos nos preços. Os valores pagos pela China subiram cerca de 20% no último mês. Quando há limitação de cota, o mercado se antecipa e tenta comprar mais. O preço médio passou de aproximadamente US$ 5,5 mil por tonelada para US$ 6,5 mil por tonelada. O setor estima que o impacto da restrição chinesa pode superar US$ 3,2 bilhões em mercadorias que deixarão de ser exportadas. Existe risco de demissões, redução de abates e fechamento de plantas. Há empresas que destinam mais de 90% da produção ao mercado chinês. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.