20/Jan/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve proporcionar crescimento moderado das exportações brasileiras de carne bovina ao bloco europeu, com avanço estimado entre 5% e 7% ao ano. Apesar da relevância comercial, o mercado europeu não altera de forma significativa o volume total embarcado pelo País, hoje concentrado na Ásia e nos Estados Unidos. É um mercado remunerador, com cortes de alto valor agregado, mas que não tem impacto expressivo em volume diante do que o Brasil exporta hoje. Em 2025, o Brasil exportou 128,9 mil toneladas de carne bovina à União Europeia, com receita de US$ 1,06 bilhão.
Os principais destinos no bloco foram Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica, com um perfil de consumo distinto do observado na Ásia e no Sudeste Asiático. O acordo Mercosul-UE prevê uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina (peso carcaça), sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa reduzida de 7,5%. A implementação será gradual, ao longo de cinco anos, começando com 19,8 mil toneladas no primeiro ano. Há um entendimento firmado em 2019, no Fórum Mercosul da Carne, de que o Brasil ficaria com cerca de 42% dessa cota. A divisão considera critérios técnicos, como produção e participação nas exportações do bloco.
O Brasil abate em torno de 40 milhões de bovinos por ano, enquanto a Argentina abate cerca de 10 milhões e o Uruguai em torno de 3 milhões. Essa divisão precisa refletir essa proporção. Além da nova cota, o acordo prevê a eliminação da tarifa incidente sobre a cota Hilton, atualmente de 10 mil toneladas anuais destinadas a cortes nobres. Hoje, essa cota é tributada em 20%, percentual que será zerado com a entrada em vigor do acordo. A medida aumenta a previsibilidade e a chance de cumprimento integral da cota. A Abiec também pleiteou junto ao governo federal a antecipação da redistribuição da cota Hilton, tradicionalmente realizada em março.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou portaria permitindo a redivisão já em dezembro, com novo ajuste no início de janeiro, beneficiando empresas com melhor desempenho exportador. O perfil das exportações brasileiras à União Europeia difere do padrão observado em outros mercados. Enquanto a China importa majoritariamente cortes do dianteiro bovino e o Sudeste Asiático concentra compras de miúdos, o bloco europeu demanda cortes do traseiro, de maior valor agregado. São cortes como alcatra, usados, por exemplo, na culinária italiana. O volume é menor, mas o impacto em valor é positivo. Mesmo com a redução tarifária prevista no acordo há limitações estruturais ao crescimento.
A União Europeia aprovou uma salvaguarda interna que estabelece um gatilho de 5% para aumento das importações de produtos agrícolas do Mercosul. Se esse limite for ultrapassado, pode haver acionamento de mecanismos que resultem em novas tarifas ou restrições. A projeção de crescimento anual de 5% a 7% sobre as atuais exportações à União Europeia representa incremento relativamente limitado em volume absoluto. É um movimento positivo, mas o foco principal das exportações brasileiras continua sendo a Ásia e os Estados Unidos. A entrada em vigor do acordo depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.