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15/Jan/2026

Suíno: impacto limitado do acordo Mercosul-UE

Após mais de 25 anos de negociação, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul está próximo de ser oficializado e representa um avanço para a suinocultura brasileira, embora o impacto direto sobre os embarques nacionais deva ser limitado. Isso porque a cota prevista ao bloco europeu ainda corresponde a uma parcela reduzida frente ao total exportado pelo Brasil. Caso aprovado, o acordo estabelece uma cota inédita de 25 mil toneladas anuais de carne suína (in natura ou industrializada) sujeitas a tarifa reduzida de € 83,00 por tonelada.

Para volumes que excederem esse limite, permanecem válidas as tarifas comuns do regime europeu, que podem alcançar valores elevados e, na prática, inviabilizar o envio de determinados produtos, como presuntos e cortes defumados ou secos, segundo o conselho britânico Agriculture and Horticulture Development Board (AHDB). Nesse sentido, o acordo traz um avanço histórico para a suinocultura do Mercosul, visto que a produção europeia é altamente tradicional e protegida.

Na União Europeia, a agropecuária é amparada por diversos instrumentos, como tarifas e subsídios: entre 2021 e 2027, o bloco prevê € 387 bilhões em apoio ao setor, em conformidade com sua Política Agrícola Comum, de acordo com o Parlamento Europeu. De modo geral, a expectativa é que a União Europeia não se torne, de imediato, um grande destino da carne suína brasileira, mas sim mais um parceiro, reforçando a estratégia do setor nacional de ampliar a “capilaridade” das exportações. Para além dos cortes in natura, a suinocultura na Europa é reconhecida pelos produtos de maior complexidade e valor agregado, como o jamón espanhol e o salame ítalo-germânico.

Essas carnes de charcutaria são justamente as mais protegidas por tarifas e por selos de Indicações Geográficas, o que dificulta a concorrência do setor brasileiro nesse mercado no curto prazo. Dessa forma, tende a haver baixa competição direta entre os produtos europeus e os sul-americanos no curto-médio prazo. No longo prazo, contudo, a ampliação gradual dos fluxos comerciais pode estimular adaptações e estratégias de posicionamento por parte de empresas brasileiras. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.