ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

15/Jan/2026

Leite A2: diferencial e papel da genética na produção

A oferta e o consumo do leite e de derivados do tipo A2 (A2A2) vêm crescendo no Brasil nos últimos anos. Mas quais são, de fato, os diferenciais desse leite e os benefícios envolvidos, tanto para consumidores quanto para produtores? Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o leite A2 é produzido por vacas que apresentam uma variação genética específica na proteína beta (β)-caseína, o que pode trazer vantagens para pessoas com sensibilidade ao leite convencional. O leite A2A2 vem sendo bastante difundido pelos seus possíveis benefícios, mas é importante entender qual é a diferença. O leite não muda em relação à lactose e sim na proteína. O leite comum pode conter as variantes A1 e A2, enquanto o leite A2A2 contém apenas a β-caseína A2.

As caseínas representam a maior fração proteica do leite e se dividem em quatro grupos: alfa-caseína 1 e 2, beta-caseína e kappa-caseína. Durante a digestão, a β-caseína A1 pode liberar um peptídeo chamado BCM-7 (beta-casomorfina-7), que, em pessoas sensíveis, está associado a desconfortos gastrointestinais, como sensação de má digestão e estufamento. A expansão do leite A2A2 pode representar um diferencial competitivo para os produtores, desde que haja identificação e seleção adequada dos animais aptos a produzi-lo. Essa identificação é realizada por meio de testes genéticos moleculares, geralmente por PCR ou genotipagem de SNP (Polimorfismos de Nucleotídeo Único). Do ponto de vista genético, as vacas podem apresentar três combinações: A1A1, A1A2 ou A2A2. Somente vacas A2A2 produzem exclusivamente leite A2.

O resultado do exame indica claramente se a vaca é A1A1, A1A2 ou A2A2. Os genes associados ao leite A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como Nelore e Gir. Embora a Epamig não faça distinção entre os tipos de leite produzidos, testes realizados nos Campos Experimentais Getúlio Vargas, em Uberaba, e de Leopoldina indicaram que grande parte das vacas é A2A2. Para produtores interessados em formar um rebanho A2A2, a principal estratégia envolve a testagem genética de vacas e novilhas e o uso exclusivo de sêmen de touros A2A2. Devem ser priorizadas como matrizes as vacas A2A2 e, para reposição, apenas filhas A2A2. Vacas A1A1 podem ser descartados gradualmente ou direcionados para a produção de leite convencional. Seguindo essa estratégia, em duas a três gerações, é possível ter um rebanho predominantemente A2A2. Fonte: Epamig. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.