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09/Jan/2026

Boi: Brasil pede esclarecimentos sobre salvaguardas

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o governo brasileiro mantém contato com as autoridades chinesas para tratar da decisão do país asiático de impor cotas tarifárias às suas importações nos próximos três anos. Questões operacionais ainda demandam esclarecimentos da China. É importante lembrar que as salvaguardas fazem parte do conjunto de ferramentas da defesa comercial. O Brasil é um grande usuário de defesa comercial. Desde que esses processos sejam conduzidos de acordo com as regras, “faz parte do jogo". Essas medidas não são contra o Brasil e abrangem as importações, pela China, de todas as origens de carne. Mas, sendo o Brasil um ator relevante no mercado mundial de carnes, naturalmente isso afeta bastante o País.

O governo brasileiro tem mantido contato com as autoridades chinesas basicamente nesse espírito de garantir que a medida siga o que está estabelecido nos acordos internacionais, que a fatia de mercado do Brasil na China seja preservada, ou seja, que o Brasil não seja prejudicado em relação a outras origens e algumas questões operacionais que ainda precisam ser esclarecidas com as autoridades chinesas. O contato com a China está sendo feito com o objetivo de mitigar, "dentro do possível", os impactos negativos dessa iniciativa para o Brasil. Lembrando também que salvaguardas não são uma resposta a uma prática desleal de comércio. É, na verdade, algo que os países podem adotar quando há um surto repentino de importação que prejudique, que cause prejuízo grave à indústria doméstica.

Em 30 de dezembro de 2025, a China anunciou restrições à importação de carne bovina, o que atinge principalmente o Brasil, principal exportador. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) da China. O governo chinês decidiu adotar cotas específicas por país para importação de carne bovina com a imposição de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a cota estabelecida para cada país. As salvaguardas serão aplicadas por três anos, até 31 de dezembro de 2028. A decisão era vista como iminente pelo governo e pelo setor no Brasil, que temem o impacto da queda nas exportações de carne bovina para china. Para o Brasil, a cota livre da tarifa adicional será de 1,106 milhão de toneladas em 2026; 1,128 milhão, em 2027; e 1,154 milhão, em 2028.

Em 2025, a China manteve-se como principal mercado da carne bovina brasileira no ano, respondendo por 48% do volume exportado, com 1,68 milhão de toneladas e faturamento de US$ 8,90 bilhões. Em seguida, aparecem os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão, seguidos por Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões). Os dados são do MDIC, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A medida chinesa entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, o que significa, a rigor, que o que chega ao país a partir dessa data é levado em conta no cômputo da utilização da cota.

Há um volume de carne brasileira em trânsito para aquele destino e ainda pairam dúvidas sobre se a medida alcança os produtos que já tinham sido embarcados antes da decisão. O governo brasileiro está em contato com as autoridades chinesas para esclarecimento de questões técnicas, mas, em princípio, a rigor, a regra é: se vale a partir de 1º de janeiro, os desembaraços feitos a partir dessa data são levados em conta para fins de contabilização da cota que o Brasil tem direito. Essa é a resposta em princípio, mas o Brasil ainda busca esclarecimentos com as autoridades chinesas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.