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08/Jan/2026

Boi: Brasil renova recorde de exportação de carne

Assim como já esperado pelo setor pecuário nacional, dados oficiais divulgados nesta semana mostram que as exportações brasileiras de carne bovina renovaram o recorde em 2025. O mercado chinês foi novamente o maior destino da carne, cenário que, ressalta-se, coloca uma pressão sobre a cadeia nacional neste ano que se inicia. Além de a produção brasileira operar em patamar recorde, a imposição da China de medidas de proteção comercial por meio de tarifas e de cotas sobre produtos importados, como a carne (as “salvaguardas”), gera uma necessidade de o setor nacional ampliar as alternativas de escoamento da carne, seja no mercado externo, seja no interno. Dado da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, de janeiro a dezembro de 2025, o Brasil exportou 3,458 milhões de toneladas de carne, 20,3% a mais que em 2024, recorde anterior. Foram arrecadados US$ 17,944 bilhões em 2025, faturamento recorde; em moeda nacional, o montante superou os R$ 100 bilhões, 45% a mais que no ano anterior.

Os números históricos de exportações registrados no ano passado, mesmo diante da tarifação dos Estados Unidos, ratificam a posição estratégica do Brasil em relação ao comércio global de carne. Especificamente à China, foram exportadas 1,648 milhão de toneladas, um recorde, 24,6% acima do volume escoado ao mercado chinês em 2024 e representando 48% do total enviado pelo Brasil ao exterior. Com as salvaguardas, o Brasil terá uma cota de 1,106 mil toneladas a serem enviadas à China em 2026, com uma taxa de 55% sobre o que ultrapassar essa quantidade. Tomando-se como base o ano de 2025, esse volume seria alcançado entre os meses de agosto e setembro. A média embarcada à China nos últimos quatro meses de 2025 foi de 175 mil toneladas. Caso esse ritmo seja mantido, as exportações atingiram a cota já entre junho e julho de 2026. Quanto ao preço, em 2025, a média geral da carne exportada ficou 15,42% acima da de 2024, a US$ 5,15 por Kg. Em dezembro, esteve em US$ 5,36 por Kg.

A China, por sua vez, pagou, em média, US$ 5,29 por Kg pela carne brasileira, 17,24% a mais que em 2024, sendo 2025 o segundo melhor ano, atrás apenas de 2022, quando a média esteve em US$ 6,41 por Kg. Em dezembro, o mercado chinês pagou o equivalente a US$ 5,46 por Kg. Caso os embarques brasileiros à China em 2026 atinjam a cota, haverá um adicional de 55% sobre o valor da carne embarcada, o que levaria o produto à média de US$ 8,20 por Kg (tendo-se como base a média de 2025), patamar nunca antes pago pelos chineses e nem mesmo por países europeus. Apesar de o cenário se mostrar desafiador no que se refere à busca por países alternativos para o escoamento da carne, deve-se levar em consideração que o cenário global é de restrição de oferta de carne bovina. Importantes players, como Estados Unidos e Austrália, ofertam menores volumes e isso já tem resultado em alta nos preços externos da carne. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.